Luciana Genro

Crise no PT

20 de agosto de 2009 14h15

Marina Silva anunciou sua saída do PT. O senador Flávio Arns também. O líder da bancada no Senado, Aloísio Mercandante, pediu demissão do cargo. Os dois últimos por constrangimento diante do voto da bancada petista no Conselho de Ética, pelo arquivamento de todas as representações contra Sarney. Marina sai por que percebeu que não há mais espaço no PT para lutar por uma política ambiental consequente. Como ministra foi derrotada em todas as batalhas importantes que travou. Vai ser candidata a presidente pelo PV, e deve ser uma pedra no sapato de Dilma.

Para nós que deixamos o PT no final de 2003, as conclusões expressas por esses senadores hoje não são novidade. O que o senador Arns disse – que foi o PT que abandonou suas bandeiras, e não ele – nós dissemos nos primeiros meses do governo Lula. Não é demais lembrar que o primeiro confronto de Heloísa Helena com o governo foi por que a bancada (com destaque para Mercadante), a mando de Lula, queria obrigá-la a votar em Sarney para presidente do Senado. Isso foi em fevereiro de 2003. Muitos diziam que ela era intransigente. Naquela época o governo Lula estava recém começando, e só os “radicais” ousavam ser uma voz discordante. Agora é mais fácil discordar, depois de tantas traições, mensalões e tudo mais. Mas não deixa de ser importante. A posição deles reflete, com certeza, as conclusões, e a pressão, de amplos setores da sociedade que perderam definitivamente as ilusões.