Luciana Genro

Correio do Povo, 12 de agosto de 2009

12 de agosto de 2009 11h00

Incidente na casa de Yeda indicia 3

A delegada Silvia Coccaro, da 14ª DP, indiciou ontem a presidente do Cpers Sindicato, Rejane Silva de Oliveira, e a vice da entidade, Neida de Oliveira, além da vereadora do PSol, Fernanda Melchionna, por causa dos incidentes ocorridos durante um protesto realizado em frente da residência da governadora Yeda Crusius, no mês passado.

O indiciamento das duas dirigentes sindicais e da vereadora foi por injúria, difamação, danos ao patrimônio e tentativa de cárcere privado. O inquérito, com 116 páginas, reúne depoimentos e laudos periciais. Caberá agora ao Ministério Público e Judiciário dar prosseguimento ou não ao caso.

Polícia indicia três pelos incidentes na casa de Yeda
Presidente e vice do Cpers, mais vereadora do PSol responderão a 4 acusações

A presidente do Cpers Sindicato, Rejane Silva de Oliveira, e a vice da entidade, Neida de Oliveira, além da vereadora do PSol, Fernanda Melchionna, foram indiciadas pela delegada Silvia Coccaro, da 14ª DP, por causa dos incidentes ocorridos durante um protesto realizado em frente da residência da governadora Yeda Crusius, no bairro Vila Jardim, no dia 16 de julho deste ano. O indiciamento das duas dirigentes sindicais e da vereadora foi por injúria, difamação, danos ao patrimônio e tentativa de cárcere privado. O inquérito, com 116 páginas, reúne depoimentos, laudos periciais e até reportagens da imprensa. Caberá agora ao Ministério Público e ao Judiciário dar prosseguimento ou não ao caso.

Segundo a delegada Silvia Coccaro, a injúria e a difamação referem-se às palavras de ordem consideradas ofensivas que foram proferidas contra a governadora. Já os danos ao patrimônio são decorrentes da destruição de árvores e pisoteamento de canteiros na rua. Sobre a tentativa de cárcere privado, a titular da 14ª DP atribui o indiciamento ao fato de a governadora, a filha e os netos terem sido impedidos de deixarem a residência, o que aconteceu somente depois da intervenção da Brigada Militar.

Silvia Coccaro revelou ainda que está com outro inquérito em andamento visando apurar as denúncias de excessos cometidos durante a intervenção da BM para dissolver o protesto. Entre os mais de dez manifestantes que apresentaram queixa contra a ação da BM encontram-se a própria presidente do Cpers Sindicato, Rejane Silva de Oliveira; a vice da entidade, Neida de Oliveira; e a vereadora do PSol, Fernanda Melchionna.

A titular da 14ª DP confirmou que já está com os laudos de lesões corporais e depoimentos dos supostos agredidos. Ela pediu à BM a lista de policiais que atuaram na ação para posterior tentativa de reconhecimento dos autores.

Presidente do Cpers diz que governo quer intimidar

A presidente do Cpers Sindicato, Rejane Silva de Oliveira, manifestou tranquilidade ontem ao saber do seu indiciamento, junto com a vice da entidade, Neida de Oliveira, pela 14ª Delegacia de Polícia no caso do protesto na frente da residência da governadora Yeda Crusius, em julho último. ‘Não cometemos nenhum crime’, assegurou a líder do magistério gaúcho, acrescentando que a manifestação realizada naquele dia tinha o objetivo de ser ‘pacífica e ordeira’. De acordo com Rejane Silva de Oliveira, a defesa jurídica já está sendo providenciada pela entidade e contestará os termos do indiciamento.

Já a vereadora do PSol, Fernanda Melchionna, considerou ‘um absurdo’ o indiciamento, pois entende que ‘é o governo que está no banco dos reús’. Segundo ela, o Palácio Piratini quer ‘mudar o foco da discussão’. ‘Estou tranquila e não vou me intimidar. Vou estar sempre presente em qualquer manifestação’, concluiu, a vereadora.

Justiça ouve Crusius e Ruas no fórum

A entrada do Foro Central de Porto Alegre virou cenário de bate-boca e empurrões, ontem, no início da tarde, durante a audiência de conciliação entre o ex-marido da governadora Yeda Crusius, Carlos Crusius, e o vereador do PSol, Pedro Ruas. O tumulto começou depois que a segurança impediu os integrantes do PSol de entrar no prédio para acompanhar a sessão, que colocou frente a frente Pedro Ruas, que foi processado por Carlos Crusius, por ter acusado o marido da governadora em programa de TV de ‘ter furtado dinheiro da campanha em 2006’. Não houve acordo. À saída do Foro, Crusius negou e Ruas repetiu a acusação. A Justiça deverá marcar outra audiência, em data a ser marcada. A deputada licenciada Luciana Genro criticou o tratamento da segurança do Foro.

Senadores do PT assinam manifesto

Eduardo Suplicy e Marina Silva assinaram ontem manifesto pela licença de Sarney da presidência do Senado. Já são cinco petistas e lideranças do PSDB, PDT, Dem, PSol, Pedro Simon (PMDB), Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Renato Casagrande (PSB). A carta diz que, ‘para recuperar a dignidade do Senado, é preciso apuração com credibilidade de todas as denúncias contra a administração da Casa’.

Conselho volta a se reunir dia 19

A próxima reunião do Conselho de Ética do Senado só acontece na quarta da próxima semana, dia 19, conforme informou ontem o presidente Paulo Duque (PMDB). Ele alegou querer tempo para analisar os recursos que foram apresentados contra o arquivamento das ações contra o presidente do Senado, o peemedebista José Sarney. Na semana passada, Duque determinou o arquivamento das 11 ações apresentadas contra Sarney mas, até o momento, a oposição já recorreu contra o engavetamento de dez dessas ações. O senador José Nery (PSol) informou que também entrará com recurso contra o arquivamento da última representação, ainda não questionado.