Luciana Genro

Zero Hora, 7 de julho de 2009

07 de julho de 2009 11h38

AS DENÚNCIAS DE LAIR
PSOL volta a defender impeachment de Yeda

Luciana Genro lembrou pontos em comum entre novas denúncias e supeitas reveladas em fevereiro (Genaro Joner)

Luciana Genro lembrou pontos em comum entre novas denúncias e supeitas reveladas em fevereiro (Genaro Joner)

Diante da divulgação de denúncias do empresário Lair Ferst encaminhadas ao Ministério Público Federal (MPF) sobre irregularidades que teriam sido cometidas na campanha de Yeda Crusius ao governo do Estado, integrantes do PSOL voltaram a defender ontem a abertura do processo de impeachment contra a governadora.

– A abertura de processo de impeachment significa o afastamento da governadora para que as investigações possam ser aprofundadas e para que ela não se constitua em um empecilho na busca das provas materiais que são necessárias para que ela seja não somente afastada, mas também presa – afirmou a deputada federal Luciana Genro.

Em fevereiro, o PSOL já havia revelado denúncias que teriam sido feitas por Lair contra Yeda. Ontem, Luciana listou pontos que aparecem também no documento em poder do MPF, como suspeitas sobre a compra da casa da governadora e as supostas reclamações de Yeda sobre valores de propina. A legenda pretende solicitar a líderes de partidos que a Assembleia acelere os trâmites do pedido de afastamento, protocolado em junho do ano passado. Em razão da divulgação do documento entregue ao MPF, os líderes do PSOL gaúcho afirmaram que o momento de abertura de uma CPI na Assembleia, para investigar o governo do Estado, já foi superado. Ainda faltam duas assinaturas para que o requerimento seja protocolado. Segundo o presidente do PSOL, Roberto Robaina, “uma CPI nessa conjuntura poderia ser uma forma de a governadora ganhar tempo”.

O partido entregará amanhã à juíza da 3ª Vara Criminal Federal de Santa Maria, Simone Barbisan Fortes, dossiê com notícias de jornais sobre o caso e também pedirá que ela determine bloqueio e indisponibilidade dos bens e contas bancárias de Yeda, do seu ex-marido Carlos Crusius e do ex-secretário-geral de Governo Delson Martini.

Caminho do pedido

– Em junho de 2008, os integrantes do PSOL entraram com um pedido de impeachment contra a governadora na Assembleia. O pedido acabou arquivado.
– Em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o desarquivamento será examinado pelo plenário. Caso o pedido seja aceito, a tramitação ocorrerá em quatro fases, sendo a última o julgamento da governadora.

Novo fôlego na busca de assinaturas para CPI

Deputados que defendem a instalação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção no governo contam com a divulgação do relato de Lair Ferst ao Ministério Público Federal para conseguir as duas assinaturas que faltam para dar início à investigação.

– Vamos agora entrar em contato com todos os deputados que pediam dados e fatos mais concretos. Agora há a confirmação de uma investigação por parte do Ministério Público Federal, e portanto essa desculpa de esperar novos dados não pode mais ser usada – disse a deputada Stela Farias (PT), uma das articuladoras do pedido de CPI.

Na Assembleia, a pressão tem endereço certo. O gabinete do deputado Elvino Bohn Gass, líder do PT na casa, informou que serão procurados deputados que na época da coleta de assinaturas condicionaram sua participação à emergência de novos fatos e investigações como Cassiá Carpes (PDT) e Gerson Burmann (PDT), e a bancada do PMDB.

Pela parte do governo, a tônica dos discursos foi contida. O líder da bancada governista na Assembleia, deputado Pedro Westphalen (PP), comentou que, se as informações vêm do MP, vêm do fórum apropriado para investigar o caso.

– Se essa investigação está no Ministério Público, ela já está onde deveria estar, então não há necessidade de CPI alguma – disse Westphalen, ao chegar para a reunião do conselho político do governo ontem.

ANA AMÉLIA LEMOS

Retratação
A deputada Luciana Genro (PSOL) está indignada com as críticas que o presidente do TRF da 3ª Região, desembargador Paulo Octávio Baptista Pereira, fez à Justiça gaúcha. A deputada mobiliza a bancada gaúcha para exigir a retratação do magistrado.