Luciana Genro

Zero Hora, 30 de julho de 2009

30 de julho de 2009 11h05

O CERCO SE FECHA

PSOL e PSDB aumentam pressão sobre Sarney

Com pedidos de ontem, chega a 11 número de processos contra o peemedebista no Conselho de Ética

Em um cenário cada vez mais convulsionado pela crise, não para de crescer o número de representações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética. Até ontem, 11 ações contestavam a postura do peemedebista no comando da Casa.

Ontem, o PSOL ingressou com sua segunda representação, que acusa o senador de quebrar o decoro parlamentar, o que pode levar a sua cassação. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), e Cristovam Buarque (PDT-DF) também apresentaram denúncias.

Segundo o PSOL, Sarney quebrou o decoro porque omitiu um imóvel da declaração de bens à Justiça Eleitoral, usou indevidamente recursos públicos na Fundação José Sarney e mentiu ao prestar informações sobre a relação dele com a entidade. Há cerca de um mês, o partido já havia feito uma representação contra Sarney e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), na qual acusou os dois de serem os responsáveis pelo uso de atos secretos.

O PSDB já apresentou três ações contra Sarney. A primeira trata do uso irregular de recursos da Petrobras na Fundação José Sarney, a segunda, dos atos secretos, e a terceira do fato de um neto de Sarney ter atuado no mercado de crédito consignado da Casa. O partido seguiu os passos de Virgílio, que já havia feito quatro denúncias contra o peemedebista.

Senador nega que filha de assessor seja fantasma

Em resposta à denúncia de que a estudante Gabriela Aragão Guimarães Mendes seria servidora fantasma do Senado enquanto ocupa uma vaga de estágio na Caixa Econômica Federal, Sarney apresentou sua versão por meio de nota oficial. O presidente do Senado confirmou a contratação de Gabriela, que é filha do ajudante de ordens dele, Aluísio Mendes Filho, mas negou que ela seja fantasma. De acordo com o documento, Gabriela foi nomeada para o gabinete de Sarney, mas cedida para o Conselho Editorial do Senado com salário de R$1.247,48. Segundo a nota “o horário de trabalho de Gabriela, das 7h às 13h, é cumprido com assiduidade”.

A assessoria de Sarney ainda divulgou uma declaração da Caixa que comprovaria que ela é estagiária da instituição financeira em horário compatível com atividades do Senado.