Luciana Genro

Greve de servidores da Previdência encontra conjuntura duríssima

07 de julho de 2009 17h18

Sr. presidente, srs. deputados e deputadas,

Os servidores da Previdência encontram-se em greve há mais de 20 dias. Estão vivendo uma conjuntura durissíma, sendo a única greve nacional que neste momento enfrenta o governo Lula. A greve que foi declarada ilegal antes de ser deflagarada, com corte de ponto e salários, com a Fenasps e os sindicatos de Distrito Federal, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Pernambuco com interditos proibitórios enfrentando multas altissímas, por exemplo, a do Sindsprev/RJ é de R$ 5 mil a hora.

A repressão da Polícia Militar e da Federal atingiu seu ápice na terça-feira, dia 30 de junho, quando no Distrito Federal e no Rio de Janeiro foram montadas operações de guerra com policiais fortemente armados com escopetas, metralhadoras, gás de pimenta e cacetetes . Mas a categoria seguiu em frente, e a greve nesses estados, bem como as atividades do Dia Nacional de Luta, aconteceram e mostraram a disposição de luta da categoria.

Essa disposição de luta tem a ver com a justeza das reivindicações. A população precisa saber que o governo Lula quer abrir mais 700 postos do INSS sem contratar nenhum novo funcionários, sendo que hoje o déficit de funcionários é de pelo menos 10 mil. Depois falam do mau atendimento nos postos, mas a culpa é do governo, que não dá condições de trabalho aos servidores. A propaganda falaciosa de que o INSS melhorou o atendimento assenta-se na superexploração dos servidores e principalente no corte de benefícios à populção. Desde o dia 1 de junho todos os benefícios assistenciais estão suspensos por determinação do Ministério. Agora eles querem também aumentar a jornada de trabalho dos servidores e reduzir salários, da mesma forma como já fizeram com os médicos peritos.

Depois de quatro anos de negociação, pois a última greve ocorreu em 2005, resta aos servidores defederem seus direitos com unhas e dentes. A luta contra a redução de salários e o aumento da jornada, assim como a defesa da realização de concursos público para contratação de funcionários e a busca por melhores condições de trabalho aos servidores, é uma luta em defesa dos direitos da categoria e também pelo direito da população de ser tratada dignamente nos postos do INSS. O PSOL está ao lado da população e dos servidores nessa luta, e soma-se à luta para que o governo negocie de forma efetiva as reivindicações dessa greve.