Luciana Genro

Documento oficial confirmou o que dissemos em fevereiro

06 de julho de 2009 16h35

Compartilho com vocês as anotações que fiz para a coletiva dada hoje a tarde:

Veio a público, hoje, documento, acompanhado de ofício assinado pelo procurador Alexandre Schneider, que integra a força-tarefa que seguiu investigando as fraudes no Detran após a CPI que revelou todo o esquema. Esse ofício encaminha ao procurador-geral da República documento com as informações prestadas por Lair. É portanto um documento oficial, embora não se saiba como ele vazou.

Relatada pelo PSOL em 19 de fevereiro, a existência da delação premiada de Lair, embora não esteja explicita no documento, fica evidente. Ele colaborou com as investigações, contando tudo o que sabe sobre os esquemas de corrupção. Os procuradores levaram tão a sério o depoimento de Lair que pediram e conseguiram junto à Procuradoria Geral da República, em Brasília, a abertura de expediente de investigação contra a governadora.

Desde a coletiva do PSOL de 19 de fevereiro, vários episódios corroboraram as denúncias feitas por nós. Agora, esse documento oriundo do procurador Alexandre Schneider confirma praticamente tudo o que dissemos em 19 de fevereiro.

1 – A importância do depoimento do Marcelo Cavalcante, cuja morte nos provocou a falar tudo o que sabíamos. A viúva de Marcelo já havia falado que ele estava prestes a dar um depoimento ao MP contando tudo, e agora o documento confirma que Marcelo iria contar que entregou a famosa carta à governadora, o que significa dizer que a governadora sabia de todo o esquema do Detran. A importância de Marcelo fica evidente, pois ele, como homem de confiança de Yeda por vários anos, confirmaria que ela era parte do esquema. Sua morte continua envolta em suspeitas, conforme denunciamos naquele dia. Polícia do DF até agora não chegou a conclusões. A morte dele foi muito útil para quem quer acobertar a corrupção.

2 – Confirma que a casa foi adquirida por valor maior que o declarado, com operação direta de Yeda e Crusius pagando em dinheiro vivo a parte por fora. O documento cita inclusive o corretor Albert, citado por nós como operador do negócio.

3 – Confirma que Yeda não só sabia da fraude no Detran como se beneficiava diretamente dela. Aparece no documento o mesmo episódio relatado por nós, em que Yeda reclama do valor da propina destinada a ela, fruto do esquema do Detran.

4 – Outras:
Mac Engenharia, doadora do caixa 2
Busnello, doador do caixa 2
Fumageiras, 400 mil pro caixa 2
Marido de Yeda Crusius, operador do caixa 2
Aod, receptador de recursos pro caixa 2
Chico Fraga, intermediário junto a empresas para caixa 2
Envolvimento do José Otávio Germano
Walna, no pagamento das despesas de Yeda, operação dos recurso do caixa 2