Luciana Genro

Correio do Povo, 8 de julho de 2009

08 de julho de 2009 11h12

Viúva de Cavalcante traz denúncias ao RS

A empresária Magda Koenigkan, viúva do ex-chefe da representação do governo do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante, promete acrescentar 20 novos itens à lista de 20 supostas irregularidades da campanha de Yeda Crusius apresentada pelo lobista Lair Ferst ao Ministério Público Federal (MPF). As informações serão repassadas em depoimento previsto para amanhã na Assembleia Legislativa. ‘Desses 20 novos itens, cinco podem ser considerados bastante fortes, pois atingem diretamente estruturas de governo’, informou ontem o deputado estadual Paulo Azeredo (PDT).

Magda chegou à Capital na segunda-feira ao meio-dia e passou a primeira noite hospedada em um hotel. Aos que a buscaram no Aeroporto, causou surpresa a quantidade de bagagens, pouco usual em viagens para estadas curtas. Um dos interlocutores da empresária admitiu ontem que, apesar de Magda ter garantido que não mostraria documentos aos deputados gaúchos, preferiu trazer cópias para o caso de uma ‘eventualidade’. O material consiste, basicamente, de cópia da correspondência enviada por Lair Ferst ao Ministério Público Federal e da documentação coletada por Cavalcante para embasar o depoimento que ele faria ao MPF. Magda acompanhou a confecção do manuscrito de Cavalcante e, após sua morte, procurou o Ministério Público e denunciou o que o ex-chefe da representação do governo do Estado em Brasília apresentaria em seu pronunciamento.

Magda promete novas revelações na Assembleia
Viúva de Marcelo Cavalcante diz possuir mais documentos sobre irregularidades

Magda Koenigkan, viúva de Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora Yeda Crusius, já está em Porto Alegre. Ela veio ao Estado especialmente para depor, amanhã de manhã, na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia, atendendo convite do deputado Paulo Azeredo (PDT) e do ex-ouvidor do Estado, Adão Paiani. As declarações da empresária estão sendo aguardadas com muita expectativa. Ela está trazendo novas informações, segundo Paiani, que confirmariam as denúncias do empresário Lair Ferst e comprovariam o funcionamento do esquema de formação do caixa dois da campanha da governadora em 2006. A afirmação de Paiani tem base nos documentos deixados por Marcelo, que Magda entregou ao Ministério Público Federal, em Brasília, incluindo o manuscrito do depoimento que o ex-assessor daria ao MPF.

Se a viúva decidir apresentar cópias dos documentos deixados pelo marido, a sessão na Assembleia deverá ser fechada. Isto porque, eles agora correm em segredo de Justiça. Se optar somente pelo depoimento, terá que limitar-se ao que pode tornar público. A gravidade do conteúdo do depoimento, seria a razão para que a viúva tenha chegado incógnita a Porto Alegre na segunda-feira à tarde. ‘Nossa intenção, com isto, era garantir a segurança de Magda’, justifica Azeredo. Esta foi a única exigência da viúva, atendida pela contratação de seguranças particulares.

Yeda não irá ingressar com ações

A governadora Yeda Crusius, por orientação do advogado Eduardo Alckmin, não vai processar o empresário Lair Ferst que, em depoimento ao Ministério Público Federal, denunciou esquema de caixa 2 na campanha de 2006. Os dois, no entanto, não divulgaram o motivo da decisão. Desde que surgiram as primeiras denúncias de autoria do PSol, em fevereiro, a governadora decidiu processar somente a revista Veja.

Na reunião que manteve ontem com Alckmin, no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, Yeda entregou uma série de documentos, cujo conteúdo também foi mantido em sigilo. Alckmin comunicou a Yeda que vai requerer à Procuradoria-Geral da República informações sobre qualquer possível registro que envolva o nome da governadora do Estado. Alckmin vem a Porto Alegre, neste final de semana, para preparar a defesa de Yeda contra as denúncias. ‘Vamos responder aos ataques’, adianta ele.

Advogado de Lair fala sobre áudios comprometedores

A defesa do empresário Lair Ferst convocou coletiva para hoje, às 11h, no escritório do advogado Lúcio de Constantino, que representa Lair no caso Rodin desde o ano passado. Constantino deve esclarecer por que seu cliente diz temer pela família e anunciar se adota ou não medidas de segurança. A amigos, Lair confidenciou que, desde domingo, vem recebendo telefonemas e outros tipos de ‘ameaças’. O advogado do empresário negou que seu cliente tenha qualquer relação com a vinda da viúva de Marcelo Cavalcante, Magda Koenigkan, ao RS. Uma pessoa próxima a Lair disse ontem que o empresário ‘quer distância de Magda’.

Constantino, contudo, pretende acompanhar o depoimento da viúva na Assembleia. ‘Meu cliente se defende de um processo penal e nosso objetivo é deixar isso bem claro. O Lair não quer discutir politicamente. Mas responderá, sim, a enfrentamentos’, resumiu Constantino. Antes da decisão pela coletiva, Lair manteve duas longas reuniões com o advogado, ambas fora do escritório. A primeira, na segunda-feira à noite, na casa de Constantino. E a segunda ontem pela manhã. Fontes ligadas ao empresário asseguram que além de marcar a posição de Lair e fornecer esclarecimentos a respeito do documento enviado ao Ministério Público Federal (MPF), a defesa deverá conceder mais informações a respeito de cinco dos 20 pontos elencados pelo empresário em sua correspondência ao MPF e dar detalhes sobre questões relativas a existência dos anunciados áudios de conversas mantidas por integrantes e interlocutores do governo do Estado.

Deputados podem ir ao MPF em Brasília

Uma comissão de deputados avalia ir a Brasília conversar com procuradores que cuidam do processo envolvendo o governo estadual. A OAB pode acompanhar os parlamentares, disse o presidente da entidade, Claudio Lamachia. Os deputados Stela Farias (PT) e Gilmar Sossela (PDT) pediram que o assunto seja levado ao Conselho da OAB. Lamachia sugeriu que o Legislativo aprove moção pela quebra do sigilo da ação em posse do MPF.

TALINE OPPITZ

Por Sedex
A solicitação do PSol para que sejam bloqueados os bens da governadora Yeda Crusius, de seu marido, Carlos Crusius e do ex-secretário Delson Martini, já está com a juíza Simone Barbisan Fortes. O documento seria entregue pessoalmente, hoje, às 16h, mas problemas de agenda impediram as lideranças do PSol de se deslocarem a Santa Maria. O pedido foi encaminhado por sedex.