Luciana Genro

Correio do Povo, 28 de julho de 2009

28 de julho de 2009 11h00

Oposição critica ‘sumiço’ de Yeda

A imprecisão nas informações sobre o paradeiro da governadora Yeda Crusius se tornou mais um elemento de conflito no já explosivo panorama político do Estado. Durante o final de semana e ainda ontem, até o final da tarde, quando a governadora chegou ao Palácio Piratini para despachar, assessores se negavam a informar ou não sabiam revelar onde ela estava.

A desinformação sobre onde andava a governadora abriu espaços para ilações, protestos e interpretações. A deputada estadual do PT Stela Farias criticou a situação. ‘Yeda já vive encastelada, sem tomar conhecimento da realidade do Estado e, ainda, sai de ‘férias’ sem pedir licença’, declarou. O deputado Elvino Bohn Gass, afirmou que o Estado está caótico. ‘A falta de clareza por onde andava a governadora é mais uma razão para que na volta do recesso se discuta a CPI.’ O cientista político Benedito Tadeu César recorreu a uma máxima para resumir a situação: ‘O Rio Grande do Sul virou a casa da mãe Joana’, afirmou. Ele disse estar impressionado com a situação política no Estado, ‘tal o pouco caso e a falta de satisfação à sociedade sobre possíveis irregularidades’. Para ele, o passar a mão ‘por cima da governadora já beira ao escárnio’, avalia, prevendo um fim de governo solitário para ela. No início da noite, foi postada uma foto da governadora no site oficial do governo do Estado.

Para o PSol, situação é falta de respeito

A falta de informações precisas, durante o final de semana, sobre o paradeiro da governadora motivou diversas manifestações de políticos. O PSol chegou a divulgar nota oficial repudiando o que qualificou de ‘sumiço injustificável da governadora Yeda Crusius’. Segundo a nota, assinada pelo presidente do partido, Roberto Robaina, a governadora faltou duplamente com respeito com a população, pois além de se encontrar em lugar incerto e não sabido, sequer se preocupou em passar o cargo ao vice, Paulo Feijó, como determina a Constituição. Robaina interpretou como grave o fato de o Executivo ficar acéfalo, lembrando também as férias do presidente da Assembleia, deputado Ivar Pavan. ‘O povo gaúcho não merece tamanho abandono’, ataca Robaina.