Luciana Genro

UOL, 30 de junho de 2009

30 de junho de 2009 15h54

Em reunião, DEM decide pedir afastamento temporário de Sarney

Claudia Andrade
Em Brasília

A bancada do Democratas no Senado decidiu no início da tarde desta terça (30) pedir o afastamento temporário do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), enquanto durarem as investigações de irregularidades administrativas no Senado. A decisão foi consensual da bancada do DEM e deverá ser comunicada a Sarney em reunião, assim como divulgada em plenário.

O partido não quis prever um prazo durante o qual Sarney ficaria licenciado, mas o senador José Agripino (RN), líder do DEM, disse esperar que, “em um espaço de tempo curto, se chegarão a conclusões”.

“A posição é partidária e consensual de propor que o presidente Sarney se licencie da presidência pelo prazo em que as investigações que correm sob a responsabilidade de funcionários do Senado, acompanhadas pelo Ministério Público e pelo TCU [Tribunal de Contas da União] se encerrem. Propomos isso para garantir perante a sociedade a isenção das investigações e a credibilidade da instituição Senado”, disse o senador.

Questionado se a decisão significava um “abandono” do partido ao presidente do Senado, Agripino disse que o partido se preocupou com a credibilidade da Casa. “O Democratas foi fundamental para a eleição do presidente Sarney. A atitude que toma, toma não por gosto, toma por interesse em sintonizar com a opinião pública e por absoluto compromisso com a legalidade e a credibilidade da instituição a qual nós pertencemos, que é o Senado da República.”

O líder do partido ressaltou que o objetivo da proposta de afastamento é garantir a credibilidade das apurações. “Propomos que ele se licencie até para que a apuração dos fatos seja acreditada. E para que, se ele for entendido como inocente, ele possa voltar. E se as investigações resultarem em que ele tenha culpa, evidentemente que ele arcará com a responsabilidade da culpa que for imputada por uma investigação isenta feita por um Senado que terá credibilidade porque terá feito a investigação sem a tutela presumida de autoridade nenhuma.”

PSDB, PMDB e PT também fazem reuniões nesta terça para discutir a crise no Senado. No início da tarde, o PSOL protocolou dois pedidos de investigação pelo Conselho de Ética do Senado. Um deles é direcionado ao presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), e outro contra o ex-presidente Renan Calheiros (PMDB-AL).

No caso de Sarney, o pedido lista os parentes do senador que teriam sido nomeados por meio de atos secretos.

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