Luciana Genro

Jornal do Comércio, 26 de junho de 2009

26 de junho de 2009 10h55

P-Sol questiona valor da casa de Yeda

Líderes do P-Sol voltaram a denunciar irregularidades na compra da casa da governadora Yeda Crusius (PSDB). Nesta quinta-feira, o presidente estadual da sigla, Roberto Robaina, e o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas levaram ao procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Geraldo Da Camino, a informação de que o imóvel teria sido subavaliado. Segundo o P-Sol, a casa havia sido negociada em 2005 por R$ 1,4 milhão, mas houve desistência. Depois o vendedor teria recusado proposta de R$ 1 milhão – Yeda a comprou em 2006 por R$ 750 mil. O partido insistiu que o casal Crusius não teria condições de adquirir a casa “Mesmo se custasse R$ 750 mil”. A governadora nega irregularidades no negócio. O Ministério Público Estadual arquivou o caso.

ADÃO OLIVEIRA

Um dia da caça

Depois que apareceram os escândalos que ocorrem no Senado, nada mais acontece por lá, além de descobertas de mais escândalos. A Casa está parada. A pressão contra o presidente José Sarney é enorme. O P-Sol ingressa na semana que vem com um pedido de investigação para apurar as últimas administrações do Senado. Nesta quinta-feira, o senador Pedro Simon também se armou e pediu a saída de seu colega de partido e presidente da Casa. Deve ter sido muito fácil para o senador Pedro Simon pedir o afastamento de José Sarney da presidência do Senado. Simon nunca engoliu Sarney.

Na eleição indireta do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves para presidente e José Sarney para vice, Simon, em alto e bom som, deu o voto sim para Tancredo e um sonoro não para Sarney. Mesmo assim a dupla venceu a disputa contra Paulo Maluf. O que se seguiu, todo mundo sabe: Tancredo morreu e não chegou a assumir o cargo para o qual havia sido eleito. Sarney assume a presidência da República e honra as indicações que Tancredo havia feito para todos os ministérios. Simon foi empossado, ministro da Agricultura, como estava previsto na lista entregue por Tancredo à sua secretária, dona Antônia.

Tempos depois, um dia antes de uma Festa da Uva, em Caxias do Sul, terra natal de Simon, Sarney o defenestra. O presidente nomeia para seu lugar no Ministério da Agricultura, Iris Rezende, ex-governador de Goiás. Simon veio à Caxias do Sul, como ex-ministro. Isso, segundo se diz, jamais foi esquecido por Simon.

Esta história corre nos corredores do Congresso Nacional. Lá, todo mundo sabe que os dois não se bicam porque nunca se bicaram. O Senado, dizem, é pequeno demais para os dois.

Hoje, é Pedro Simon que dá as cartas como o senador que combate a corrupção e os maus políticos. Sarney, no momento, amarga um profundo arrependimento de tentar manter-se no poder, coisa, aliás, que fez a vida inteira.