Luciana Genro

Folha de S. Paulo, 24 de junho de 2009

24 de junho de 2009 17h34

PSOL começa a buscar assinaturas para criação da CPI da Crise do Senado

Na tentativa de instalar uma CPI para investigar os recentes escândalos do Senado, o senador José Nery (PSOL-PA) deu início nesta quarta-feira à coleta de assinaturas para viabilizar a criação da comissão. Para que a CPI seja instalada, é necessário que 27 senadores assinem o requerimento com o pedido da sua criação.

Batizada de “CPI da máfia do Senado”, a comissão tem como objetivo investigar a edição de atos secretos na instituição, a suspeita de corrupção em empréstimos consignados firmados pela Casa, além da denúncia de superfaturamento nos contratos de prestação de serviços do Senado.

Nery só conseguiu, até agora, a assinatura do senador Jefferson Praia (PDT-AM). O senador reconhece que, diante da suspeita de que senadores podem estar envolvidos no escândalo dos atos secretos, terá dificuldades para conseguir apoio.

“Se a coisa for pior do que a gente imagina, paciência. Temos que cortar na própria carne. A recusa pode significar que a gente quer adiar a solução dos problemas. Os que têm postura ética não devem temer as investigações. De qualquer maneira, temos que trabalhar para que o sonho [CPI] vire realidade”, disse Nery.

O senador acredita que os 663 atos secretos editados na Casa nos últimos 14 anos são apenas o início de várias irregularidades existentes no Senado. “Os atos secretos têm gravidade porque são ilegais, mas se formos investigar a extensão do problema, ele está nos contratos firmados pelo Senado”, afirmou.

Nery disse que, antes de sugerir a criação da CPI, havia pedido ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para criar comissão composta por um senador de cada partido com o objetivo de investigar a corrupção na Casa. Como não teve o seu pedido atendido, o senador deu início à coleta de assinaturas pró-CPI. Nery promete procurar líderes partidários nesta quarta-feira em busca de apoio.

“Ou fazemos isso, ou alimentaremos essa crise. Se tem senador envolvido, deve ter o seu nome encaminhado ao Conselho de Ética. Os servidores envolvidos devem ser investigados em inquérito administrativo disciplinar que resulte até na exclusão dos quadros do Senado”, afirmou.