Luciana Genro

Felipe Vieira, 17 de junho de 2009

17 de junho de 2009 11h33

Escutas telefônicas mostram que Marcelo Cavalcante não estava sendo pressionado por políticos

por Jimmy Azevedo/Band RS

As últimas conversas telefônicas de Marcelo Cavalcante mostram que ele não sofria pressões de políticos para não depor ao Ministério Público Federal sobre suposto esquema de corrupção no governo estadual. A 10ª delegacia de polícia do Distrito Federal recebeu de operadoras os extratos telefônicos dos aparelhos de Marcelo Cavalcante e da ex-companheira Magda Koegnikan. Na degravação das conversas que remetem aos dias que antecederam a morte por afogamento do ex-assessor do governo gaúcho no Lago Paranoá, em Brasília, não aparece nenhuma ligação de ex-colega de trabalho ou político gaúcho no celular de Marcelo Cavalcante, conforme a delegada Naice Landim Pinheiro.

O corpo de Marcelo Cavalcante foi encontrado boiando no Lago Paranoá no dia 17 de fevereiro desse ano. Em março, o ex-assessor da Embaixada do governo do R S em Brasília iria depor no Ministério Público Federal sobre suposto esquema de corrupção na administração Yeda Crusius. Muitos políticos de oposição à gestão tucana levantaram a suspeita de que Cavalcante teria se suicidado por estar sofrendo pressões políticas para não depor. A polícia, investigou a suposta indução ou instigação ao suicídio.

A deputada federal Luciana Genro, do Psol, acredita que os últimos extratos telefônicos do ex-assessor não são parâmetro para descartar as ameaças que ele estaria recebendo. Já a deputada estadual Zilá Breitembach, do PSDB, critica a oposição por ter associado o provável suicídio de Cavalcante a questões políticas no Estado. Para fechar o inquérito, que em maio foi prorrogado com autorização judicial, a delegada Naice Landim aguarda o result ado de alguns laudos periciais. Marcelo Cavalcante foi demitido do governo no ano passado por aparecer em escutas telefônicas com pessoas investigadas pela fraude de 44 milhões no Detran gaúcho./ (Jimmy Azevedo/Band RS)