Luciana Genro

Zero Hora, 20 de maio de 2009

20 de maio de 2009 17h00

Diante da dificuldade em seduzir o PDT, os petistas prometeram ontem alterar o texto do pedido de abertura da CPI. O líder da bancada, Elvino Bohn Gass, afirmou que as sugestões encaminhadas pelos pedetistas serão contempladas no novo documento.

O foco da investigação, na opinião do PDT, é muito abrangente e contempla questões que tecnicamente estariam fora da competência da Assembleia, como a suspeita de caixa 2 de Yeda.

– Temos de investigar fatos concretos que envolvam recursos públicos, como no caso do Detran. Não cabe investigar a casa da governadora. Segundo o vice-governador Paulo Feijó, os recursos que teriam sido utilizados no negócio seriam privados e não públicos – disse Adroaldo Loureiro.

Bohn Gass garantiu que a suspeita de caixa 2 não será analisada por um viés de irregularidade eleitoral, mas sim de improbidade administrativa:

– A CPI pode avaliar se a governadora faltou com a verdade quando explicou a compra da casa. Falta de honestidade, ética e honradez são questões de improbidade.

O petista afirmou que o aprofundamento da Operação Solidária, uma apuração feita pela Polícia Federal sobre supostos desvios em obras de infraestrutura, segue como alvo da CPI. O PSOL, autor de um pedido de impeachment de Yeda, está preocupado com as concessões que serão feitas pelo PT. Líderes do partido vão conversar hoje com Stela Farias, autora do requerimento. Já os governistas demonstravam tranquilidade ontem. Quando soube que o PT mexeria no texto, Adilson Troca (PSDB) desdenhou:

– Vai ser o terceiro requerimento. Eles não têm convicção do que querem.

Giovani Cherini (PDT) afirmou que o alvo da CPI deveria ser o vice-governador:

– Feijó é o único réu confesso. Disse ter pego dinheiro vivo, o que era ilegal.

Efeitos de uma CPI
Três motivos para o governo querer impedir uma investigação:
1) Uma CPI pode paralisar o governo, que terá de se preocupar mais com a sua defesa do que com a administração.
2) Projetos estratégicos que dependem de aprovação dos deputados – como a alteração nos planos de carreira dos servidores –, dificilmente seriam votados na Assembleia.
3) Ao contrário de uma investigação judicial, o trabalho de uma CPI é totalmente público e costuma expor pessoas que são alvo de denúncias. O Piratini teme que a oposição passe a fustigar pessoas próximas de Yeda, que poderá ser obrigando a demitir assessores de sua confiança.

ROSANE DE OLIVEIRA

Dano moral

Será um pedido de indenização por dano moral a ação que Carlos Crusius moverá contra o vereador Pedro Ruas (PSOL). Em entrevista ao programa Conversas Cruzadas, da TVCOM, Ruas acusou Crusius de furtar dinheiro da campanha em 2006.