Luciana Genro

Jornal do Comércio, 20 de maio de 2009

20 de maio de 2009 12h07

Divisão no PDT adia decisão sobre CPI

Gisele Ortolan

Depois de um encontro de duas horas, o PDT decidiu ontem liberar a bancada para que cada um dos seis deputados resolva se apoia ao não a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa, protelando a criação da comissão, que pretende investigar denúncias de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB).

Giovani Cherini, Kalil Sehbe e Gerson Burmann alegam que não estão convencidos dos motivos da investigação e informam que, por enquanto, não vão assinar o documento. Adroaldo Loureiro, Gilmar Sossella e Paulo Azeredo se declaram a favor da ação.

No entanto, só devem assinar o requerimento após a modificação de alguns pontos definidos no encontro de ontem. “Precisamos investigar fatos concretos que envolvam irregularidades com os recursos do Estado. Há precariedades no documento original, como a investigação da prestação de contas da campanha da governadora em 2006. Isso não é objeto de uma CPI”, justificou o líder da bancada, Adroaldo Loureiro.

No caso de os três deputados levarem a cabo a disposição de apoiar a CPI, o requerimento chegaria a quinze assinaturas. Já subscrevem o documento nove parlamentares do PT, dois do PSB, um do PCdoB. Mas, para fechar os 19 apoios necessários para protocolar a investigação, ainda faltariam quatro adesões.

O Democratas se comprometeu com duas assinaturas – que só serão confirmadas quando o requerimento tiver o apoio de 17 deputados. Ainda assim, para fechar a conta, faltará um deputado, que pode ser da base aliada.

Dispostos a não deixar esfriar a investigação no Parlamento, Sossella e Azeredo saíram a campo pelo convencimento dos colegas de sigla e apresentaram “novos argumentos” para a investigação.

Azeredo solicitou na tarde de ontem, ao presidente da Assembleia, Ivar Pavan (PT), o parecer jurídico da Casa sobre duas denúncias. Uma relativa ao sistema Guardião – entregue na ouvidoria do Parlamento por Adão Paiani -, e outra contendo áudios, envolvendo a assessora do governo tucano Walna Villarins Meneses na negociação de obras da barragem Taquarembó-Jaguari e enviados anonimamente ao gabinete do deputado.

“Não assino hoje o documento da CPI porque ainda vamos buscar informações sobre a compensação de crédito de empresas fumageiras do Rio Grande do Sul com Santa Catarina e das linhas de créditos criadas agora pelo Banrisul para o setor. Com isso podemos ter outros fatos determinados”, sugeriu Azeredo.

Contrários à proposta, Burmann e Cherini apontaram a artilharia para o vice-governador Paulo Feijó (DEM). “Me choca ele trazer estes assuntos agora. Deveria ter feito antes, na prestação de contas”, alegou Burmann. “Até agora o único réu confesso é o Feijó, que disse que entregou R$ 25 mil em moeda. Isso é proibido. Como um vice-governador vai entregar dinheiro vivo? Até agora, só se sustenta uma CPI do Feijó”, atacou Cherini.

O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr., que também acompanhou o encontro, que aconteceu a portas fechadas, garantiu que a posição da sigla é de oposição ao governo e a orientação da executiva é pela criação da comissão de investigação.

“Não houve o amadurecimento suficiente da bancada, mas a recomendação é pela assinatura do requerimento. Possivelmente vamos reunir o diretório para discutir a questão e orientar os deputados que ainda estão indecisos. A avaliação política é de que, se há fatos determinados, o partido, como de oposição, deve buscar a verdade”, assinalou o trabalhista.

Hoje, o presidente estadual do P-Sol, Roberto Robaina, e o vereador de Porto Alegre Pedro Ruas (P-Sol) irão se encontrar, às 11h, com a deputada Stela Farias (PT) e prometem entregar “novos argumentos” para a instalação da CPI.

O partido foi o responsável por tornar público a suposta existência de áudios feitos pelo lobista Lair Ferst e a troca de e-mails com o vice-governador, que comprovariam a existência de caixa-2 na campanha de 2006.