Luciana Genro

Correio do Povo, 14 de março de 2009

14 de maio de 2009 17h55

Yeda contrata advogado

A governadora Yeda Crusius decidiu se defender das acusações do uso de caixa 2 na campanha de 2006. Em Brasília, ontem, onde cumpriu extensa agenda de encontros com advogados, aliados políticos e a direção nacional do PSDB, Yeda contratou o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Eduardo Alckmin. Ele é advogado de políticos tucanos e de parlamentares gaúchos conhecidos como ‘albergueiros’.

Alckmin terá como primeira tarefa interpelar judicialmente a revista Veja, que publicou denúncias na edição desta semana sobre a existência de caixa 2 na campanha da governadora ao Palácio Piratini. Ele processará também o PSol, partido da deputada federal Luciana Genro e do vereador Pedro Ruas. ‘A editoria da Veja vai ter que responder pelo que escreveu na Carta do Editor. Chega de atacar o Rio Grande do Sul, chega de atacar a governadora por fatos comprovadamente negados no âmbito das investigações’, disse. Em Brasília, Yeda distribuiu a parlamentares gaúchos o dossiê com a prestação de contas da campanha do partido em 2006.


Yeda contrata advogado e vai processar revista

Defesa será feita pelo mesmo advogado que atuou no caso dos deputados albergueiros e do ex-presidente do Senado, Severino Cavalcanti

Joana Colussi

Bombardeada por denúncias de irregularidades na campanha eleitoral, a governadora Yeda Crusius (PSDB) buscou em Brasília ajuda para se defender de acusações feitas pela revista Veja de que teria havido caixa 2 na campanha do seu partido, em 2006. Para acionar judicialmente a revista Veja e integrantes do PSol, a governadora contratou o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Eduardo Alckmin, de 54 anos. Advogado de políticos tucanos, como José Serra e Fernando Henrique Cardoso, o profissional atua também em processos envolvendo deputados albergueiros, cassações de governadores e o ‘mensalinho’ de Severino Cavalcanti. A contratação de Alckmin foi selada na manhã de ontem, no escritório de outro advogado, gaúcho Eduardo Ferrão. Conhecido de Yeda, o profissional fez a apresentação dos dois. Ferrão esclareceu que não recebeu convite da governadora para atuar na questão por ter mantido contatos nesta semana com a viúva de Marcelo Cavalcanti, Magda Koenigkan. ‘Fui advogado de Yeda ainda quando ela foi deputada federal. Agora ela me fez apenas uma visita cordial’.

Após confirmar a contratação do ex-ministro do TSE como seu advogado, a governadora anunciou que irá interpelar judicialmente os autores das acusações contra a compra de sua casa e doações de campanha. Para sustentar a defesa, Yeda entregou a Alckmin um dossiê sobre a prestação de contas da campanha, aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Ministério Público Estadual (MP). ‘A editoria da Veja vai ter que responder pelo que escreveu na Carta do Editor. Chega de atacar o Rio Grande do Sul, chega de atacar a governadora por fatos comprovadamente negados no âmbito das investigações’, disse. Conforme Yeda, a partir de agora, o advogado paulista será responsável por tratar das denúncias de caixa 2 em sua campanha e possíveis ações judiciais. ‘Eu respondo com prova de idoneidade. A governadora não pode ficar respondendo quase três anos as mesmas perguntas quando se têm documentos e provas que dão as respostas’. Conforme ela, o profissional jurídico será pago pela executiva do PSDB e com recursos próprios.

Ainda em Brasília, Yeda distribuiu a parlamentares gaúchos o dossiê com a prestação de contas da campanha do partido em 2006. ‘Iremos manter uma ação contínua e concreta para impedir de novo o oportunismo de denúncias falsas’, ratificou Yeda.

TALINE OPPITZ

Reação vem tarde, mas vem

Enfim, o Piratini resolveu reagir à altura da gravidade das acusações que vêm enfrentando desde fevereiro, quando vieram à tona as primeiras denúncias do PSol. Após quatro meses, a governadora Yeda Crusius constituiu, em Brasília, advogado para representá-la. O escolhido foi José Eduardo Alckmin, responsável pela defesa de alguns dos personagens do esquema mensalão. Além da representação jurídica, Yeda manteve, pessoalmente, contato com lideranças nacionais dos partidos que integram sua base de sustentação. Ela apresentou ainda documentos que comprovariam a licitude da prestação de contas da campanha e solicitou interferência de caciques nacionais para barrar a CPI da Corrupção, que o PT busca criar na Assembleia. O movimento da tucana, apesar de um tanto tardio, dá indicativo aos aliados que o governo está disposto a esclarecer os fatos e garante fôlego para que os parlamentares mantenham a posição contrária à CPI e permaneçam atuando na ingrata tarefa de defender a gestão tucana até que o Ministério Público Federal – ou outro órgão fiscalizador – se manifeste em relação aos episódios.