Luciana Genro

Zero Hora, 15 de abril de 2009

15 de abril de 2009 17h26

Bancada do PT pedirá CPI sobre suspeitas de fraude

Em uma conversa gravada em abril de 2008, por exemplo, autoridades monitoraram um encontro de Neide e Walna que teria ocorrido em um shopping da Capital. Depois de se reunirem no estacionamento, as duas teriam se dirigido ao encontro de Cândia, conforme gravações.

Neide é descrita no inquérito da Solidária como pessoa de “confiança” de Chico Fraga. Ela faria o pagamento a ele de propinas oriundas de empresas beneficiadas em licitações, entre elas, a Magna. O alvo da apuração da Solidária são fraudes em licitações com o apoio de agentes públicos.

Depois de anunciar na Assembleia que a bancada do PT prepara requerimento para instalação de CPI com foco na Solidária, a deputada Stela Farias referiu-se ontem a Walna, dizendo ser necessário apurar o papel dela na “definição de editais e no direcionamento de licitações para beneficiar empresas e se há relação entre sua atuação e a própria governadora”. Em fevereiro, o PSOL havia envolvido a assessora de Yeda em suspeitas de corrupção no governo. Ela foi apontada pelo partido como uma das pessoas supostamente responsáveis por distribuir “mensalinhos”.

ROSANE DE OLIVEIRA

Oposição ressuscita ideia de CPI

A investigação de pessoas ligadas ao governo do Estado na Operação Solidária animou a bancada do PT a propor a outros partidos a criação de uma CPI para investigar denúncias de corrupção. A deputada Stela Farias anunciou que começará a recolher assinaturas hoje. Os petistas esperam, com a CPI, ter acesso a gravações que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgam em nome do segredo de Justiça.

Como quer chegar ao gabinete da governadora Yeda Crusius, o alvo da oposição é a assessora Walna Vilarins Meneses, considerada uma das pessoas mais poderosas no Piratini e que está sendo investigada pela Polícia Federal. Para justificar a CPI, Stela vai citar as suspeitas de direcionamento de licitações, as denúncias do PSOL, feitas em fevereiro, e até as acusações do ex-ouvidor Adão Paiani.

– Queremos saber qual é exatamente o papel da senhora Walna Vilarins Meneses na definição de editais e no direcionamento de licitações para beneficiar empresas e se há relação entre sua atuação e a da própria governadora – disse Stela, ontem, na tribuna da Assembleia.

Ex-assessora de Yeda na Câmara, Walna é um dos personagens mais misteriosos que gravitam no coração do poder. Veio para o Estado na campanha de 2006. Discreta, não costuma ser vista em solenidades públicas, mas nenhum secretário tem dúvidas de sua influência. Ex-secretários comentam que ela é mais poderosa do que os chefes da Casa Civil que passaram pelo governo e que influi até nas nomeações.

Na investigação da PF, Walna aparece como pessoa ligada a Neide Viana Bernardes, indiciada em quatro inquéritos e ligada a Chico Fraga, ex-secretário de Governo de Canoas, e à empresa Magna Engenharia.