Luciana Genro

O Estado de S. Paulo, 7 de abril de 2009

07 de abril de 2009 11h40

CPI confirma depoimento de Protógenes para amanhã
Delegado dispõe de habeas corpus que lhe garante direito de ficar calado

A CPI dos Grampos confirmou para amanhã o depoimento do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. Chefe do inquérito da Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, Protógenes será ouvido pela segunda vez.

No ano passado, ele assegurou aos parlamentares que a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação foi informal. A declaração do delegado é considerada inverídica pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que já defendeu publicamente o indiciamento de Protógenes por ter faltado com a verdade.

Na semana passada, o delegado, que nega pretensões políticas – é voz corrente na Câmara e no Senado que ele almeja disputar em 2010 uma vaga para deputado federal -, afirmou que manterá a mesma versão apresentada no depoimento anterior. A principal dúvida dos deputados é sobre a participação da Abin e se o juiz Fausto De Sanctis e o procurador da República Rodrigo De Grandis estavam informados da parceria. Ao depor no Ministério Público Federal pela primeira vez, o delegado disse que tanto De Sanctis quanto De Grandis sabiam da atuação da Abin. Protógenes, porém, se apressou em corrigir seu depoimento por três vezes e, na última, no mês passado, negou que os dois tivessesm conhecimento.

O delegado vai depor amanhã amparado por um habeas corpus que lhe garante o direito de ficar calado para não se autoincriminar. A exemplo do que tem feito em suas peregrinações pelo Congresso, Protógenes deverá alegar que está sendo “perseguido” e há uma inversão de papéis. “O delegado está virando bandido e o bandido, o mocinho”, disse o senador José Nery (PSOL-PA), um dos padrinhos políticos do delegado.

Hoje, a CPI vai ouvir o também delegado da PF Renato Porciúncula. Na semana que vem, será a vez de a comissão ouvir o ex-diretor da Abin Paulo Lacerda. Adido policial em Portugal, ele pediu que seu depoimento fosse adiado alegando dificuldade de vir de Lisboa até Brasília.