Luciana Genro

Zero Hora, 5 de março de 2009

05 de março de 2009 15h00

Yeda pede ação do MPF contra denúncias
Em Brasília, tucanos traçaram plano para ajudar governadora

Duas semanas após integrantes do PSOL terem denunciado a existência de vídeos que provariam a prática de caixa 2 na campanha da governadora Yeda Crusius, o Piratini pediu providências do Ministério Público Federal contra o que chamou de ataques ao governo.

Em correspondência encaminhada ontem, Yeda comunicou ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, a “utilização político-partidária” do Ministério Público Federal. Segundo parlamentares do PSOL, a existência das gravações poderia ser comprovada pelo MPF. Na carta, Yeda solicitou audiência com Souza e pediu ações para cessar o “abuso que atenta contra o governo e a sua titular”.

A governadora também determinou que o secretário da Transparência, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, solicitasse ao Ministério Público Eleitoral autorização para acompanhar as investigações encaminhadas.

Em Brasília, uma estratégia para auxiliar Yeda foi traçada ontem. Após uma hora de discussão a portas fechadas, a primeira reação da cúpula tucana foi ingressar com uma representação no Conselho de Ética contra a deputada Luciana Genro (PSOL) por causa das denúncias.

Líder do partido na Câmara, o deputado José Aníbal acusa Luciana de quebra de decoro parlamentar por fazer acusações sem provas. Apontando suposto abuso, o deputado defende a cassação de Luciana.

O PSDB também planeja ingressar com uma ação judicial contra o ministro da Justiça, Tarso Genro. Líderes do partido suspeitam que a abertura de investigações na Polícia Federal, subordinada ao Ministério da Justiça, teria sido orquestrada pelo ministro. Filha de Tarso, Luciana ironizou a suposta participação do pai na ação da PF.

– Se ele acha que o ministro se envolveu no caso é porque ele acredita que as denúncias são realmente verdadeiras – rebateu Luciana.

Em busca de um escudo político para Yeda, o presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), está engajado na união da base na Assembleia Legislativa. Guerra ressaltou que a prioridade será uma aproximação com o DEM, partido do vice-governador Paulo Feijó, desafeto de Yeda.

Pelas regras da Câmara, o pedido do PSDB será encaminhado ao corregedor da Casa, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), para elaborar um parecer sobre a procedência ou não da representação.

PF investiga reunião de Lair e viúva de Cavalcante

Fábio Schaffner e Rodrigo Orengo

Brasília – Atuando em conjunto na apuração da morte do assessor Marcelo Cavalcante, a Polícia Federal e a Polícia Civil do Distrito Federal investigam um encontro entre o lobista Lair Ferst e a viúva do ex-representante do governo do Estado em Brasília, Magda Koenigkan.

Eles se encontraram na casa de Magda logo após o enterro de Cavalcante, cujo corpo foi encontrado no dia 17 de fevereiro no Lago Paranoá. A visita ocorreu no final da tarde de 18 de fevereiro. Lair retornou a Porto Alegre na manhã seguinte. O encontro entre Magda e Lair já havia sido relatado à polícia por pelo menos duas pessoas ouvidas no inquérito. Durante reunião ontem com o superintendente da PF no Estado, Ildo Gasparetto, o delegado-adjunto da 10ª DP, Aelio Caracelli, manifestou interesse em interrogar Lair. Ele poderá ouvir o empresário na Capital.

Procurada por Zero Hora, Magda não quis dar detalhes. Ela será convocada a prestar um novo depoimento.

– Isso é problema meu e dele – resumiu.

Segundo relatos obtidos por ZH, Lair teria se oferecido para ajudar Cavalcante a enfrentar dificuldades financeiras. Amigos desde a década de 1990, quando trabalharam juntos no gabinete do então deputado Nelson Marchezan (PSDB), eles também eram confidentes. Cavalcante teria ligado para Lair no sábado anterior a sua morte. O lobista foi informado do desaparecimento do amigo por Magda. A partir da quebra do sigilo telefônico do ex-assessor, Gasparetto quer confirmar se eles se falaram nas vésperas da morte.

Cavalcante perdeu o emprego no governo do Estado em junho do ano passado, depois que uma escuta telefônica registrou uma conversa dele com Lair. No diálogo, o ex-assessor intermediava uma reunião de Lair na Secretaria Estadual da Fazenda.

Para hoje está previsto o depoimento do pai de Cavalcante, Antonio Cavalcante Sobrinho.