Luciana Genro

Zero Hora, 12 de março de 2009

12 de março de 2009 17h12

KLÉCIO SANTOS

Fora dos autos

Gilmar Mendes não esconde sua satisfação com a nova polêmica envolvendo Protógenes Queiroz. Há muito tempo que o presidente do Supremo Tribunal Federal vem denunciando o que considera abusos da investigação comandada pelo polêmico delegado da Polícia Federal. Ele mesmo se dizia vítima de arapongagem no seu gabinete, tão logo tirou da cadeia o banqueiro Daniel Dantas. Diante da revelação das novas peripécias de Protógenes, o ministro defendeu a criação de uma corregedoria judicial, uma espécie de controle externo para a PF.

Recém-chegado de uma viagem ao Egito, Mendes esquece que a fiscalização da atividade policial já tem dono desde 1988. A função é do Ministério Público, conforme preconiza a Constituição. Gilmar, aliás, é egresso da instituição. O ministro também peca ao generalizar suas suspeitas. As ilegalidades cometidas na Satiagraha são exceções nos métodos de trabalho da PF, que, na gestão de Luiz Fernando Corrêa, trocou o espetáculo pela discrição. Não dá para comparar um delegado tresloucado com toda a máquina da polícia. A prova é que não há um setor da corporação em Brasília que queira aceitar Protógenes em seus quadros.

Encostado em uma coordenadoria de segurança institucional, Protógenes só encontra espaço em palanques do PSOL, tentando manter a imagem de implacável caçador de corruptos. A PF, porém, pretende desmascará-lo por completo com a divulgação do relatório final que investiga as irregularidades da Satiagraha.

– Há coisa muito pior para vir à tona – revela um delegado do alto escalão da PF.

ROSANE DE OLIVEIRA

Aod opta por queixa-crime

Diante do silêncio da deputada Luciana Genro, do vereador Pedro Ruas e do presidente do PSOL, Roberto Robaina, o advogado Gabriel Magadan informou que até amanhã entrará com uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal. O PSOL não respondeu à interpelação do ex-secretário Aod Cunha, pedindo que apresentem provas de denúncias.

Magadan disse que Aod também vai entrar com ação civil pedindo reparação por danos morais.