Luciana Genro

Jornal do Comércio, 20 de março de 2009

20 de março de 2009 16h48

Servidores protestam contra governo e direção

Cerca de 100 servidores do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) participaram, na tarde desta quinta-feira, de um ato em frente ao hospital Conceição. Os trabalhadores reivindicam a manutenção de empregos e da jornada atual de trabalho, melhores condições para servidores e pacientes e o desígnio de uma direção técnica, através de escolha democrática pelos servidores, ao invés de uma indicação política para o cargo. A manifestação contou com a presença da vereadora Fernanda Melchiona (P-Sol) e do ex-secretário de Saúde da Capital Lúcio Barcelos.

“Este é um ato fundamental em que a categoria se posiciona fortemente contra a mudança na carga horária dos trabalhadores do GHC. A diretoria apresentou uma proposta de alteração na carga horária, passando de seis para oito horas diárias. Isso representará a demissão de trabalhadores e sobrecarga de trabalho, prejudicando a qualidade do serviço prestado”, afirma o presidente da Associação dos Servidores do Grupo Hospitalar Conceição (ASERGHC), Roberto Carlos Neres de Oliveira.

Outra reivindicação dos servidores diz respeito à proposta de criação de uma fundação estatal de direito privado para gerir o GHC. Atualmente tramita no Congresso o projeto de Lei Complementar para regulamentar o inciso XIX do artigo 37 da Constituição, a fim de estabelecer as áreas de atuação e o estatuto jurídico da entidade. “Esta proposta, que parte do governo federal, e tem o apoio da diretoria do grupo, é o início de uma ideia de privatização do GHC e nós, servidores da saúde, organizados e mobilizados, não iremos permitir que isso ocorra. Queremos uma empresa federal 100% pública”, diz Oliveira.

A categoria também exige a mudança no modo como a diretoria do GHC é escolhida, que hoje é através de nomeação por parte do governo federal. “Queremos uma eleição direta, democrática, com todos os servidores tendo poder de voto. Uma eleição que leve em conta somente critérios técnicos e de competência e não questões políticas. Queremos alguém que entenda de saúde pública chefiando o grupo. Hoje nós temos políticos que não entendem nada de saúde comandando profissionais com mais de 30 anos de experiência na área. Nós sabemos que o governo não quer mudar isso, pois o GHC tem um papel muito importante no loteamento de cargos públicos para amigos”, destaca o presidente da ASERGHC. “Essa reivindicação é justíssima, os trabalhadores têm de exigir eleição democrática para a direção, de alguém que tenha conhecimento técnico e experiência na área, e não uma indicação política”, enfatiza a vereadora Fernanda.

A mobilização dos servidores prosseguirá. Na semana que vem haverá um novo acampamento, em frente ao hospital Fêmina.