Luciana Genro

Jornal do Comércio, 16 de março de 2009

16 de março de 2009 17h00

Protógenes vai levar à CPI provas contundentes

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz voltou a afirmar ontem que irá apresentar à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, da Câmara dos Deputados, provas contundentes e individuais contra os envolvidos na Operação Satiagraha, na qual ele foi acusado de ter cometido ilegalidades.

“Vou poder explicar aos representantes do povo brasileiro, e até mesmo ao povo brasileiro de forma direta, como se deu a participação de cada personagem ou indivíduo que tem relação espúria, corrupta, criminosa com o banqueiro bandido Daniel Dantas. As condutas serão facilmente compreendidas, porque eu vou explicar de forma individualizada”, disse.

As declarações de Protógenes Queiroz foram feitas durante palestra no Primeiro Encontro Estadual do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). O MTL propõe a construção de um novo modelo de socialismo, com liberdade e democracia. O movimento tem ligações com o P-Sol, cuja presidente, Heloísa Helena, falou antes de Protógenes.

O delegado reafirmou suas críticas ao tratamento dado pelas autoridades brasileiras ao banqueiro Daniel Dantas. Protógenes usou como contraponto a prisão do investidor norte-americano Bernard Madoff, de 70 anos, sexta-feira passada, após confessar ter planejado uma fraude financeira estimada em US$ 50 bilhões.

“Essa quadrilha (ligada a Daniel Dantas) merece punição exemplar, como os Estados Unidos, agora recentemente, deram exemplo ao mundo (na prisão de Madoff): algemado, de mãos para trás, o banqueiro bandido. E o nosso banqueiro bandido aqui tem de ser homenageado, tem de ser cortejado. Esse estado de coisas nós temos que reverter e não exigir e subjugar aquele servidor público federal que cumpriu com seu dever”, defendeu-se.

O delegado voltou a rebater as críticas de que ele teria agido ilegalmente no processo de investigação da Satiagraha. Ele reafirmou que as coletas de dados realizadas na operação foram feitas com autorização judicial e com a fiscalização da Procuradoria da República. Tudo foi pautado dentro da lei, da legalidade, garantiu.

Protógenes utilizou ainda como argumento a favor da legalidade de suas ações a decisão, da sexta-feira, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Alberto Menezes Direito de que membros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) podem ter acesso a dados de outros órgãos, inclusive da Polícia Federal.

“Nós já temos a sinalização de uma mudança de comportamento e de uma consciência jurídica junto ao STF mais responsável. Todas as decisões do STF são respeitadas. Gostando ou não delas, nós temos de respeitar. Agora, já está havendo uma mudança de comportamento. Mais recentemente, do (ministro) Carlos Direito, traz aí o cunho de legalidade, o cunho de legalidade dessa ação policial, que foi necessária para poder revelar para o Brasil e ao povo brasileiro os meandros do submundo da corrupção”, afirmou.