Luciana Genro

Folha de S. Paulo, 3 de março de 2009

03 de março de 2009 15h30

Yeda atribui denúncias de corrupção no RS a “golpistas”
Governadora diz que suspeitas foram levantadas por quem “não gosta da democracia”

No 1º discurso após denúncia do PSOL, tucana diz que vai investir mais em publicidade -em campanhas semanais e em espaço em rádios e TVs

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), atribuiu à “direita golpista” e à “esquerda pseudorrevolucionária” as denúncias de corrupção feitas contra ela e integrantes de seu governo. As denúncias reacenderam, no mês passado, a crise política atravessada pelo governo.

A declaração de Yeda foi dada ontem durante um pronunciamento no Palácio Piratini para anunciar investimentos de R$ 700 milhões no primeiro semestre, para combater a crise econômica, e de um aumento salarial de 10% para policiais.

O discurso foi sua primeira manifestação desde que teve início o último capítulo da crise gaúcha, quando dirigentes do PSOL disseram, sem exibir provas, haver vídeos que implicam a governadora e auxiliares em formação de caixa dois na campanha, uso de recursos não contabilizados para a compra da casa da tucana e uso de agência de publicidade do governo para fazer pagamentos.

Para ela, as novas suspeitas foram levantadas por “quem não gosta da democracia”. Ela disse que cabe ao Judiciário esclarecer se houve ou não irregularidades. Yeda fez referência no discurso à compra de sua casa, cuja investigação foi encerrada em 2008 pelo Ministério Público Estadual sem apontar irregularidades. Para ela, a denúncia foi “requentada”.

“Será que o Rio Grande do Sul tem cultura e tradição golpistas, juntando uma direita golpista com uma esquerda pseudorrevolucionária?”, disse ela, sem citar quem seriam os “golpistas”. Embora estivesse prevista entrevista coletiva, Yeda não falou com os repórteres.

No discurso, no qual enalteceu o fim do déficit fiscal do Estado, a tucana anunciou ofensiva publicitária, que inclui campanhas semanais e compra de espaços em rádios e TVs.

O secretário Carlos Otaviano Brenner de Moraes (Transparência) disse que o governo não pretende acionar judicialmente os dirigentes do PSOL.

Procurada pela Folha, a deputada Luciana Genro (PSOL) voltou a dizer que os vídeos estão guardados sob sigilo na Justiça de Santa Maria. O órgão não comenta a existência do material. “Se alguém está sendo caluniado por golpistas, como ela [Yeda] diz, deveria buscar na Justiça a reparação.”