Luciana Genro

Carta Capital, 6 de março de 2009

06 de março de 2009 17h54

Aperta o cerco à governadora

Leandro Fortes, de Porto Alegre

O advogado Pedro Ruas, vereador de Porto Alegre pelo PSOL, vive uma estranha angústia. Todo dia, há 15 dias, ele anseia por acordar e descobrir que, finalmente, foi processado pela governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, do PSDB. Ruas, 50 anos, alardeia ter o destino da tucana nas mãos. No dia 19 de fevereiro, ele reuniu-se com o presidente local do PSOL, Roberto Robaina, e a deputada federal Luciana Genro para anunciar à imprensa, numa entrevista coletiva realizada na sede gaúcha do partido, um formidável pacote de denúncias contra Yeda. Mas não apresentou nenhuma prova.

Vem daí o interesse do vereador em ser interpelado judicialmente pela governadora. A ação judicial contra Ruas dará a ele a chance de usar o dispositivo legal da “exceção da verdade”, a oportunidade de provar a acusação. Para tal, o advogado do PSOL pode requerer, formalmente, a apresentação das provas por ele mencionadas.

Parecia uma operação simples, de resultado prático e imediato – o pedido de impeachment da governadora do Rio Grande do Sul –, mas Yeda Crusius decidiu não se entregar tão facilmente. A tucana teve o cuidado de jamais se pronunciar com clareza sobre as acusações lançadas pelo PSOL. Nem muito menos se arriscou a processar nenhum dos acusadores. Um silêncio retumbante, considerada a gravidade dos nove fatos relatados por Pedro Ruas e Luciana Genro. São oito gravações de áudio e vídeo e uma informação por escrito apresentadas pelo tucano Lair Ferst, lobista e arrecadador de campanha de Yeda Crusius e pivô do escândalo da fraude no Detran gaúcho, de 40 milhões de reais, descoberta pela Polícia Federal, em 2007, na Operação Rodin. Ferst decidiu falar em regime de delação premiada, em troca de uma pena menor quando for a julgamento por fraude e formação de quadrilha. E que quadrilha.

Entre 2003 e 2007, Ferst comandou um esquema de desvio de dinheiro do Detran graças a contratos fraudados entre duas fundações da Universidade Federal de Santa Maria e empresas subcontratadas para realizar serviços da burocracia de trânsito, as chamadas “sistemistas”. O esquema se iniciou no governo de Germano Rigotto (PMDB), mas desandou no governo de Yeda Crusius por motivos tortos. Em 2007, depois de empossada, a tucana designou Flavio Vaz Netto para a direção do Detran. Netto, diz a PF, tomou comando da quadrilha para si e isolou Ferst. O lobista, então, virou um pote de mágoas. Preso e processado, resolveu entregar todo mundo para se safar.


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