Luciana Genro

Zero Hora, 25 de fevereiro de 2009

25 de fevereiro de 2009 16h38

Após Carnaval, Yeda retoma embates
Entre as preocupações, está a manutenção do veto da governadora ao abono de ponto

Depois de quatro dias de folga por conta do Carnaval, a governadora Yeda Crusius retoma hoje o encaminhamento de temas estratégicos para o Piratini, como os investimentos em áreas com potencial de geração de emprego e as articulações para manter o veto ao corte do ponto dos servidores grevistas.

O descanso da governadora no Palácio das Hortênsias, em Canela, ocorreu em um momento tenso. Abalado pela morte do ex-representante do Estado em Brasília Marcelo Cavalcante, o Palácio Piratini foi surpreendido na semana passada por uma série de denúncias de corrupção, feita pela cúpula estadual do PSOL, contra integrantes da administração tucana. Os episódios vieram na esteira de um embate com 10 sindicatos de servidores públicos, responsáveis por uma campanha que mostra o rosto de Yeda como a face de mazelas do Estado

Disposta a sobrepor uma agenda positiva às infindáveis crises que assombram seu governo, a governadora elegeu o enfrentamento da crise econômica como prioridade dos próximos dias.

Para tanto, deverá dedicar o resto da semana a reuniões de “contratualização” com os secretários, onde cada gestor deverá definir as metas e resultados de cada pasta. Às 16h desta quarta-feira, será a vez do secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social, Fernando Schüler, apresentar seu cronograma.

O objetivo de Yeda é dar agilidade aos investimentos previstos para 2009. Além de disponibilizar os recursos, a governadora está preocupada em reduzir os gargalos burocráticos. Os secretários têm até junho para aplicar quase R$ 700 milhões do R$ 1,2 bilhão de investimentos previstos no orçamento.

– Estamos fechando um cronograma que devemos colocar à apreciação da governadora ainda nesta semana. A determinação é para que sejam antecipados os investimentos que foram aprovados no orçamento – explicou o secretário de Infraestrutura, Daniel Andrade.

Assembleia aprecia veto da governadora no dia 10

No campo político, o Piratini tem no horizonte o desafio de manter o veto ao projeto que anistiou o corte do ponto de grevistas no ano passado. A previsão é de que a Assembleia coloque o tema em pauta no dia 10.

A Casa Civil e o líder do governo na Assembleia, deputado Pedro Westphalen (PP), têm tentado sensibilizar os deputados da base sobre o significado da manutenção do veto. O tom da campanha assinada por 10 sindicatos de servidores contra o governo tem sido o principal argumento utilizado para arregimentar os aliados dissidentes.

– A campanha do Cpers foi um gol contra, foi muito bom para nós. O Cpers fez o que o governo não teve competência para fazer, que foi conseguir unir a base – afirmou Pedro Westphalen.

Os sete desafios do Piratini
Veja os temas que devem dominar a agenda do governo estadual nos próximos dias

MANUTENÇÃO DO VETO
> Prevista para o dia 10 de março, a análise do veto de Yeda ao projeto que anistiou o corte do ponto de grevistas em 2008 é uma das prioridades mais urgentes do governo. Integrantes do primeiro escalão e o líder do governo na Assembleia, Pedro Westphalen (PP), têm a missão de convencer os aliados a manter o veto e evitar que, com isso, seja dada carta branca a novas paralisações. Uma derrota agora também enfraqueceria a base.

GREVE NO HORIZONTE
> Os 10 sindicatos responsáveis pela campanha que culpa o governo Yeda Crusius por mazelas como a corrupção planejam uma greve geral. O plano poderá ter mais chances de sucesso se o Piratini estiver impedido de cortar o ponto dos grevistas. As 10 entidades, que afirmam abranger 70% do funcionalismo, querem aumento salarial e nenhuma mudança nas carreiras. O Cpers-Sindicato tem assembleia geral marcada para março.

ENFRENTAMENTO DA CRISE
> Na tentativa de atenuar os efeitos da crise financeira, a governadora Yeda Crusius ordenou que os secretários invistam quase R$ 700 milhões em obras até junho. O montante equivale a cerca de 60% dos investimentos previstos pelo Executivo no orçamento de 2009. O dinheiro deverá irrigar projetos nas áreas da segurança, infraestrutura, educação, saúde e habitação.

DENÚNCIAS DO PSOL
> Apesar de não ter anunciado uma medida judicial contra o PSOL, o Piratini terá de lidar com as suspeitas sem provas levantadas na última semana pelo partido, como uso de caixa 2 em campanha eleitoral e suposta participação de Yeda em negociação de partilha de dinheiro desviado do Detran. O problema é agravado pelo mistério em torno da morte de Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora em Brasília.

REFORMA DAS CARREIRAS
> O governo pretende começar a reforma nas carreiras do Estado pelo magistério. A intenção é alterar as formas de ingresso e ascensão no quadro, dando prioridade ao desempenho e não ao tempo de serviço. Diante da oposição sistemática do Cpers-Sindicato, o Piratini pretende desconstituir a entidade como interlocutora. A estratégia é buscar o diálogo direto com a sociedade e com os professores, por meio de consultas públicas.

EXPLICAÇÕES SOBRE A VIAGEM
> Apesar de prometido pelo chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, o balanço sobre os resultados do giro nacional feito pela governadora no início do mês não foi divulgado pelo Piratini. A Assembleia Legislativa, por sugestão do líder da bancada do PT, Elvino Bohn Gass, fez um pedido de informações sobre o custo da viagem – ainda sem resposta.

IMAGEM DO GOVERNO
> Desde janeiro, a política de comunicação do governo está numa encruzilhada. Yeda pretendia mudar a imagem de sua administração a partir de uma sugestão do GAD Design. Em reunião da cúpula estadual, o diretor-presidente da agência, Luciano Deos, propôs o adjetivo “diferente” como pilar da nova marca. A ideia foi criticada publicamente pelo ex-marido da governadora e então presidente do conselho de comunicação do Piratini, Carlos Crusius. Ele foi demitido do cargo dias depois, e Yeda não anunciou sua decisão em relação ao tema.

ROSANE DE OLIVEIRA

Amigos do ex-casal Crusius apostam que embora as relações hoje estejam estremecidas, em pouco tempo a parceria política será restabelecida.

Até agora, Carlos Crusius não se manifestou sobre a separação nem sobre as denúncias feitas pela deputada Luciana Genro e pelo vereador Pedro Ruas (PSOL).

ANA AMÉLIA LEMOS

Aposentados
Quando esta coluna informou que Michel Temer havia cancelado a audiência ao senador Paulo Paim (PT) para tratar do fim do fator previdenciário, Darcisio Perondi (PMDB) entrou em campo. Pediu ao presidente da Câmara nova data.

Aposentados 2
A audiência deve ocorrer na próxima semana. Mas o senador Paulo Paim já conseguiu o apoio de seis partidos para os seus projetos. Depois do PTB, PRB, PSOL, PC do B e PSB, o senador recebeu aval do PDT.