Luciana Genro

Zero Hora, 20 de fevereiro de 2009

20 de fevereiro de 2009 17h00

PSOL apresenta acusações sem exibir provas
Parlamentares disseram ter tido acesso a gravações

Suspeitas contra o governo do Estado tornadas públicas pelo PSOL mobilizaram ontem as atenções de autoridades e partidos e provocaram reações do governo do Estado e de envolvidos no escândalo do Detran.

Os fatos denunciados teriam ocorrido durante a campanha de Yeda Crusius e depois de ela se tornar governadora. A deputada federal Luciana Genro (PSOL) afirmou que as provas do que seria revelado – gravações de áudio e vídeo atribuídas ao lobista Lair Ferst – poderiam ser verificadas junto ao Ministério Público Federal (MPF), que teria firmado acordo de delação premiada com Lair. A parlamentar disse não ter as provas, mas assegurou tê-las visto. Eles citaram o vice-governador Paulo Afonso Feijó como um de seus interlocutores em relação ao assunto.

O partido justificou o fato de estar trazendo as denúncias à tona – nove de um conjunto de 28 que comporiam o suposto acordo de Lair com o MPF – em razão da morte de Marcelo Cavalcante, ex-representante do governo do Estado em Brasília. Luciana afirmou que Cavalcante deporia ao MPF, com o qual estaria negociando delação premiada.

– Existe um processo que foi derivado das investigações do Detran, e nesse processo Cavalcante estava prestes a ser ouvido como testemunha. Nós sabemos que ele estava negociando uma delação premiada – sustentou a parlamentar.

E acrescentou:

– Nós sabemos que Cavalcante esteve com a governadora, e não foi conversa amigável, foi conversa de pressões. O próprio presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), estaria presente nessa conversa.

Acompanhados do presidente estadual do PSOL, Roberto Robaina, Luciana e o vereador da Capital Pedro Ruas atestaram ter visto e ouvido parte do material que, segundo eles, está com o MPF. Também afirmaram que a delação de Lair foi homologada pela juíza federal Simone Barbisan Fortes, que conduz o processo do Caso Detran em Santa Maria. Ruas disse ter visto o documento.

Na tarde de ontem, o tema dominou a discussão no plenário da Assembleia Legislativa. Da tribuna, o líder do governo, Pedro Westphalen (PP), reagiu com indignação.

– Estão acusando sem mostrar as provas. Isso não faz parte das tradições gaúchas. Diariamente, o PSOL faz acusações gravíssimas ao governo Lula e não prova nada – disse.

Às 19h, o Piratini lançou nota lacônica na qual afirmou apenas que as acusações tinham sido desmentidas pelo MPF. Em Pernambuco, o senador Sérgio Guerra negou as suspeitas e ameaçou processar Luciana.

A nota do Piratini
“Em resposta às demandas recebidas da imprensa, o Palácio Piratini informa que as declarações que o PSOL deu em entrevista coletiva foram desmentidas pelo Ministério Público Federal.
Porto Alegre 19 de fevereiro de 2009.”

Procurador desmente afirmações

O procurador da República Adriano Raldi, um dos que atuam na força-tarefa do Caso Detran, estava em Brasília ontem e negou ter conhecimento das gravações referidas pelo PSOL e que estariam em poder do Ministério Público Federal (MPF).

A assessoria de imprensa do MPF não explicou o motivo de Raldi estar na Capital Federal.

O procurador negou que um depoimento de Marcelo Cavalcante estivesse marcado. Também não confirmou que houvesse acordo de delação premiada com Lair Ferst e Cavalcante em relação ao inquérito da Rodin. Raldi frisou que o PSOL não teve acesso a informações do processo por meio do MPF.

A informação de que Cavalcante prestaria depoimento ao MPF havia sido confirmada a Zero Hora pela viúva de Cavalcante, Magda Koenigkan, em entrevista por telefone, na quarta-feira.