Luciana Genro

Taline Oppitz, Correio do Povo, 27 de fevereiro de 2009

27 de fevereiro de 2009 16h25

Silêncio e dúvidas
A situação envolvendo as denúncias do PSol contra o governo Yeda Crusius tomaram proporções inesperadas e resultaram em situação praticamente insustentável. Apesar de não terem sido apresentadas provas que embasem as acusações contra integrantes e ex-integrantes do Executivo, incluindo a própria governadora, os movimentos diários da oposição e a manifestação do Ministério Público Federal (MPF) – que deixou margem à interpretações – estão diariamente alimentando as dúvidas em relação ao episódio, inclusive entre aliados da gestão tucana, que têm a tarefa de rebater as investidas dos adversários. Alguns, como Alexandre Postal, do PMDB, inclusive já aderiram a tese de que é necessário esclarecer os fatos para impedir maior desgaste político do Executivo, que segue inerte, a espera de fato concreto. É cada vez mais evidente que caso opte por manter a estratégia do silêncio, Piratini corre o risco de enfrentar situação semelhante a vivida no auge da CPI do Detran, quando a administração praticamente parou para tentar reverter o estrago político. A conta está sendo paga até hoje.

Reação da cúpula
Piratini mantém a tática do silêncio, mas integrantes da cúpula nacional do PSDB entraram em campo com artilharia política pesada – que promete incendiar ainda mais o cenário – no episódio envolvendo as acusações do PSol contra o governo Yeda. O alvo foi o ministro da Justiça, Tarso Genro. Segundo o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, José Aníbal, o ministro estaria por trás dos movimentos para atingir o governo, desde a CPI do Detran. O tucano solicita hoje à Comissão de Ética da Câmara que a deputada Luciana Genro apresente as provas que motivaram as acusações ou se retrate publicamente.

Até o fim
Único a buscar reparação até agora por ter sido citado nas denúncias do PSol, o ex-secretário da Fazenda Aod Cunha está realmente disposto a esclarecer o episódio. Depois de ingressar na Justiça solicitando esclarecimentos das lideranças do partido, o advogado de Aod, Gabriel Magadan, vai tentar, em reunião com o Ministério Público Federal, às 14h30min, obter respostas. Mesmo que consiga, não poderá divulgá-las.

O momento certo
O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino, afirmou que o momento e a forma como se dará o contato com o Ministério Público Federal em busca de informações sobre as denúncias do PSol está sendo analisada. Da Camino destacou, porém, que tem absoluta confiança na independência, no comprometimento e na dedicação dos procuradores da República.

Lenha na fogueira
A postura adotada pelo Ministério Público Federal – que não negou de forma definitiva a existência de investigações envolvendo integrantes e ex-integrantes do governo – está servindo de combustível à imaginação da oposição e também de aliados.

Apartes
– Para fragilizar ainda mais o cenário político do Executivo, diariamente surgem informações que deixam ainda mais misteriosas as circunstâncias da morte do ex-representante da embaixada gaúcha em Brasília Marcelo Cavalcante.
– Além de marcar os debates na Assembleia, acusações do PSol contra o governo Yeda e a morte da Marcelo Cavalcante marcaram debates no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre.