Foto: Claudio Fachel / ALRS
Foto: Claudio Fachel / ALRS

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Por iniciativa da deputada estadual Luciana Genro (PSOL), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) acolheu duas denúncias de perseguição política em instituições de ensino gaúchas após a vitória de Lula nas eleições presidenciais. A primeira está relacionada ao assédio e exposição de professores e estudantes do Instituto Estadual Rio Branco, em Porto Alegre, pela vereadora Mariana Lescano (PP). Já a segunda trata de ameaças de morte dirigidas a estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que supostamente teriam manifestado publicamente seu voto em Lula no segundo turno. As ameaças teriam sido feitas por integrantes do curso de Agronomia da universidade.

A parlamentar, que também participou do ato de protesto promovido pelos alunos do Instituto Estadual Rio Branco ao lado do vereador Roberto Robaina (PSOL), criticou duramente a postura da vereadora. Para a Luciana Genro, é inaceitável que Mariana Lescano use do seu mandato para expor e constranger estudantes e servidores de uma escola pública.

“Antes de inventar uma suposta ‘doutrinação’ e transformar alunos e professores em alvos nas redes sociais, ela deveria fiscalizar as condições da escola e cobrar melhorias. Os estudantes nos relataram aqui, por exemplo, que, quando chove, os corredores ficam alagados e que a rede elétrica vem se deteriorando por causa da umidade. É disso que a parlamentar deveria estar tratando, dos problemas concretos que afetam a vida e a segurança de quem estuda e trabalha na escola”, pontuou.

Durante a manifestação, os estudantes relataram que os ataques à comunidade escolar começaram há três anos e rejeitaram a acusação de “doutrinação” nas salas de aula. “Dar aulas de filosofia e sociologia não é doutrinar, mas estimular o pensamento crítico e oferecer ferramentas para que cada estudante desenvolva suas próprias ideias”, afirmou Quésia Machado. Laura Silva também destacou o papel da escola na formação da autonomia dos estudantes. “É na escola que recebemos as ferramentas para desenvolver nosso senso crítico e, a partir delas, tirar nossas próprias conclusões”, pontuou.

Thales Carvalho reforçou que situações semelhantes têm ocorrido em outras instituições de ensino e criticou o foco das denúncias. “A preocupação desses parlamentares não é com a qualidade do ensino, com escolas estruturadas ou professores valorizados, mas com o conteúdo ensinado aos alunos. Isso representa um grave ataque à educação”, afirmou.

Já na Universidade Federal de Santa Maria, as denúncias envolvem ameaças de morte e mensagens de incitação à violência contra pessoas identificadas como petistas e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), compartilhadas em grupos de WhatsApp por estudantes do curso de Agronomia. O caso passou a ser investigado pela universidade e também foi encaminhado às autoridades policiais. A Reitoria solicitou parecer jurídico sobre o possível afastamento cautelar de dois estudantes investigados.

“Ameaças de morte são inadmissíveis e não podem ser tratadas como simples divergência política. É crime, caso de polícia, e a punição acadêmica por si só não basta! A universidade já tomou providências, mas essas ameaças precisam ser investigadas também pela polícia e pelo Ministério Público. Não podemos aceitar que estudantes sejam intimidados ou ameaçados de morte por suas posições políticas. Os responsáveis precisam ser identificados e responsabilizados”, defendeu Luciana Genro na sua manifestação no encontro.

Como encaminhamentos, através da comissão, Luciana Genro solicitará à Secretaria Estadual da Educação a apuração do caso no Instituto Estadual Rio Branco e defenderá a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra a vereadora Mariana Lescano, com pedido de cassação do seu mandato, na Câmara Municipal de Porto Alegre. A parlamentar também se colocou à disposição dos professores do Colégio Anchieta que foram expostos nas redes sociais por utilizarem roupas vermelhas no dia seguinte às eleições.

Através do seu mandato, Luciana Genro seguirá acompanhando os episódios e cobrando resultados das investigações e providências concretas para proteger estudantes e profissionais da educação. Se você foi ou está sendo vítima de algo semelhante, entre em contato com o gabinete da deputada através do WhatsApp pelo número: (51) 99265-0578.