A investigação sobre a responsabilidade da Copelmi nas enchentes de Arroio dos Ratos ganhou um novo capítulo e, mais uma vez, as denúncias apresentadas pela deputada estadual Luciana Genro (PSOL), ao lado dos moradores do bairro Nossa Senhora Aparecida, encontram respaldo técnico. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada pela Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade, seu relatório final, que aponta responsabilidade parcial da mineradora pelo agravamento das enchentes no município. O laudo que embasou a conclusão identificou que cavas, aterros, diques e outras intervenções realizadas pela empresa alteraram a dinâmica das águas, restringiram áreas naturais de espraiamento e aumentaram o fluxo em direção à área urbana.
Luciana Genro é a deputada que mais atuou no caso na Assembleia Legislativa e, agora, celebra a decisão, mas aponta que o relatório da CPI não encerra o assunto. “A aprovação do relatório, por unanimidade ainda, aumenta a responsabilidade dos órgãos públicos de promover uma investigação séria e aprofundada sobre o que aconteceu, identificar eventuais irregularidades, responsabilizar quem tiver que ser responsabilizado, além de garantir a reparação dos danos causados à população”, pontuou Luciana Genro, ao criticar a ausência do prefeito Darci Renato Feiten e de representantes da mineradora na reunião de apresentação do documento. “Quem não tem nada a esconder deveria estar interessado em esclarecer tudo. Vamos continuar cobrando a apuração completa e medidas concretas para que a população de Arroio dos Ratos não continue pagando essa conta”, finalizou. Pelo menos 400 famílias foram atingidas pelos alagamentos registrados em 2024 e 2025, segundo informações apresentadas pela comissão de moradores.
Luciana Genro acompanha o caso desde 2025, quando foi procurada pelos moradores de Arroio dos Ratos com evidências sobre os impactos das intervenções da Copelmi nas enchentes. A deputada levou as informações ao Ministério Público, dando encaminhamento institucional às reivindicações da comunidade. Na sequência, promoveu uma audiência pública na Assembleia Legislativa, reuniu os moradores com órgãos ambientais e passou a cobrar novas análises sobre os efeitos da mineração no território.
A atuação se intensificou conforme novos elementos foram apresentados pela comunidade. Em 2026, Luciana participou de reuniões com a Sema e a Fepam, ocasião em que o órgão ambiental reconheceu que os eventos extremos de 2024 haviam alterado significativamente os parâmetros hidrológicos utilizados em estudos anteriores e apontou a necessidade de uma nova avaliação.
A deputada também contestou o relatório da Defesa Civil que afastava a responsabilidade da mineradora apesar de reconhecer alterações profundas no relevo e nos diques. O documento foi questionado por ter sido elaborado sem a participação da comissão de moradores e com informações fornecidas pela própria empresa. Diante de novas evidências apresentadas pelos atingidos, Luciana Genro voltou a cobrar que as conclusões fossem revistas e que os elementos produzidos pela comunidade fossem efetivamente considerados.
Para Luciana Genro, a conclusão da CPI dá ainda mais força ao que a comunidade vem alertando desde o início e torna insustentável qualquer tentativa de tratar os alagamentos como simples consequência das chuvas. O laudo técnico e a investigação parlamentar agora apontam que as intervenções da mineradora alteraram a dinâmica hídrica e contribuíram para agravar as enchentes.
“A partir dessa conclusão, aumenta também a responsabilidade dos órgãos públicos em avançar na apuração das condutas da empresa e das eventuais falhas de fiscalização. O que não pode acontecer é a população continuar arcando com os prejuízos enquanto a mineradora e o poder público se esquivam das respostas”, pontua a deputada. Depois de anos de alertas dos moradores, há elementos suficientes para que a investigação avance, eventuais responsáveis sejam identificados e os danos sejam reparados.