Após cinco dias de um apagão que paralisou a rotina da população, do comércio e do setor produtivo por mais de 110 horas, o fornecimento de energia elétrica em Santa Vitória do Palmar começou a ser restabelecido. No entanto, o fim da emergência imediata não encerra a gravidade do problema. A deputada estadual Luciana Genro (PSOL) está cobrando o Governo do Estado e a concessionária Equatorial que haja uma apuração profunda e reformas estruturais em toda a rede elétrica da região.
O cenário da cidade levou a Prefeitura a decretar Situação de Emergência – Nível II em todo o município, em razão dos graves danos causados à infraestrutura, aos serviços essenciais e à segurança local pelas rajadas de vento que atingiram cerca de 90 km/h no último dia 6 de agosto.
A demora no atendimento e os prejuízos acumulados provocaram, inclusive, reação no Poder Judiciário: quatro municípios gaúchos obtiveram liminares determinando que as concessionárias CEEE Equatorial e RGE retomassem o abastecimento no prazo de até 24 horas após a intimação, sob pena de multa diária que pode chegar a R$ 100 mil por descumprimento.
O colapso teve início após o temporal derrubar mais de 20 torres de transmissão na região. A complexidade do reparo das estruturas de alta capacidade, somada ao sucateamento da rede local, deixou a cidade no escuro por quase uma semana.
Além do transtorno emergencial, o mandato da deputada alerta para a contradição enfrentada pelo município, detalhada por André Rota Sena, liderança do PSOL em Santa Vitória do Palmar. “Santa Vitória abriga o maior parque eólico da América Latina e é uma das maiores produtoras de energia do mundo. No entanto, a energia gerada no município é enviada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e vendida em leilões, não abastecendo diretamente a população local”, explica André.
O consumo da cidade depende da concessionária privatizada Equatorial por meio de uma linha alimentadora na ponta da rede, o que gera oscilações crônicas e quedas frequentes. Luciana Genro destaca que o ofício enviado aos órgãos competentes vai além do restabelecimento pontual e exige soluções definitivas para a infraestrutura regional.
“É uma contradição inaceitável: o município que é gigante na produção de energia limpa padece com o desabastecimento, a rede sucateada e o colapso do modelo privatizado, passando mais de 110 horas no escuro. A falta de investimentos estruturais, como a ampliação da subestação da Quinta, em Rio Grande, arrasta-se há anos. A luz voltou após liminares judiciais, mas a infraestrutura da região segue vulnerável. Não queremos apenas paliativos, exigimos uma reformulação completa na qualidade do serviço prestado à população”, afirmou a parlamentar.
Para a deputada, a crise vivida por Santa Vitória do Palmar expõe as falhas da privatização do setor elétrico e a ausência de planejamento do poder público. O mandato do PSOL seguirá fiscalizando os desdobramentos e cobrando investimentos estruturais que garantam a segurança energética de toda a Região Sul.