Reunião com trabalhadoras da FHGV em Sapucaia do Sul
Reunião com trabalhadoras da FHGV em Sapucaia do Sul

| Direitos Trabalhistas | Saúde

A deputada estadual Luciana Genro esteve em Sapucaia do Sul para uma reunião com trabalhadoras da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV) que denunciaram o atraso no pagamento de salários, 13º, férias e verbas rescisórias. Cerca de 200 pessoas são afetadas pela situação, a maioria em processo de rescisão por término de contrato ou por assumir outro cargo.

O encontro contou também com a presença do advogado Rafael Lemes da Silva, do escritório Girotto Lemes & Zimmermann, que já atua em ações contra a fundação. O relato mais grave é sobre os contracheques, nos quais os valores aparecem como pagos mesmo quando o dinheiro não cai na conta, situação que atingiu inclusive o 13º de parte das trabalhadoras.

Diante dessas denúncias, Luciana Genro não poupou críticas à situação. “O que eles estão fazendo com vocês é um absurdo total, do ponto de vista político, jurídico e humano”, afirmou a deputada. “Eles estão fazendo isso porque imaginam que vocês não vão reagir. Então vão empurrando com a barriga”, complementou.

Os atrasos, no entanto, não param por aí. Todo mês o salário dos trabalhadores que permanecem ligados à instituição sai depois da data prevista, e a fundação acumula anos sem depositar o FGTS, questão que já é objeto de ação judicial. O advogado Rafael Lemes da Silva avalia que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS), ao analisar as contas da gestão, pode determinar medidas para que os valores sejam quitados. Parte dos direitos só poderá ser recuperada por ação judicial, mas o FGTS pode ser resgatado sem necessidade de novo processo.

Luciana Genro apontou dois caminhos para a luta das trabalhadoras: o político e o jurídico. A deputada vai cobrar a direção da FHGV, pedir reunião com o prefeito de Sapucaia do Sul e com o diretor da fundação, além de enviar ofícios ao Ministério Público, ao TCE-RS e à Superintendência Regional do Trabalho, para que seja feita a fiscalização das irregularidades. Além disso, as trabalhadoras vão formar uma comissão para acompanhar os encaminhamentos, e está em avaliação a realização de uma audiência pública sobre o caso.

A crise da FHGV se arrasta há anos. A fundação deixou de repassar o FGTS de parte dos profissionais desde o fim de 2023, teve atrasos salariais ao longo de 2025 e chegou a ser alvo de decreto de calamidade financeira. Da mesma forma que no caso da readmissão das agentes de saúde de Sapucaia, o mandato de Luciana Genro segue atuando em defesa dos trabalhadores da saúde do município.