A greve dos professores de Canoas voltou a ocupar o centro do debate público durante a reunião da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Inconformada com a demora da prefeitura em debater qualquer avanço nas negociações com a categoria, a deputada estadual Luciana Genro (PSOL) solicitou, por meio da comissão, que uma reunião seja agendada com o gestor municipal o mais breve possível para discutir os impasses que ainda impedem o retorno dos alunos às salas de aula.
“Já são mais de três semanas de greve e os avanços ainda são pequenos. Os trabalhadores e trabalhadoras estão em uma luta muito dura para garantir o básico, ou seja, a reposição da inflação, condições dignas de trabalho e o enquadramento dos profissionais que atuam nas escolas na lei 15.326. Isso seria o mínimo que o município poderia ofertar!”, pontuou a deputada durante o encontro.
“O que nós queremos com essa reunião é contribuir, por meio da nossa comissão, para acelerar esse processo e garantir que essa greve tenha um desfecho positivo, que a educação de Canoas saia vitoriosa, e para isso os professores precisam ser ouvidos”, finalizou. No encontro a ser realizado, os deputados que constituem a comissão pretendem apresentar dados e conclusões feitas a partir da análise das contas do município que comprovam que a cidade poderia estar investindo mais na educação.
Com forte presença dos educadores, o encontro também foi marcada por uma série de denúncias feitas pelos professores, que relataram um cenário de desvalorização e precarização das condições de trabalho na rede municipal. Entre os principais problemas apontados estão as dificuldades para acessar o sistema eletrônico de aprendizagem fornecido como “uma ferramenta mágica” que, segundo a categoria, deveria estar em funcionamento há cerca de um ano, mas que, em grande parte das escolas, sequer foi disponibilizado um login para o acesso dos profissionais.
Os relatos também destacaram falhas constantes nos equipamentos eletrônicos fornecidos pela prefeitura que deveriam funcionar como suporte aos professores, o que vem comprometendo o trabalho tanto desses como dos monitores em sala de aula. Outro ponto enfatizado pelos educadores foi a falta de profissionais de apoio para atender adequadamente a educação inclusiva nas escolas do município.
Durante a reunião, Luciana Genro denunciou as tentativas de intimidações sofridas em razão da sua atuação em defesa da greve. Na última semana, em Canoas, faixas espalhadas pela cidade buscaram atacar politicamente a parlamentar em razão do seu apoio ao movimento. Para a deputada, no entanto, os ataques apenas reforçam a importância da luta em defesa da educação pública. “Esse ato covarde só torna ainda mais evidente que estamos do lado certo dessa luta, ao lado de quem defende dignidade para a educação pública e respeito aos profissionais que constroem o futuro do nosso estado dentro das salas de aula”, afirmou.
O apoio de Luciana Genro aos profissionais da educação se estende também ao campo legislativo. A parlamentar é autora do projeto de lei que garante o enquadramento dos professores da educação infantil na carreira do magistério, conforme prevê a Lei Federal nº 15.326/2026 e que todos aqueles que atuam em instituições de ensino tenham o mesmo enquadramento. O projeto é mais um mecanismo de pressão para que os servidores do magistério sejam de fato reconhecidos. A proposta estadual tem como referência legislação federal de autoria da deputada federal Luciene Cavalcante, também do PSOL.