Luciana Genro

Mais Médicos, os números e a saúde do povo

14 de novembro de 2018 17h32

Atitude ideológica de Bolsonaro coloca em risco assistência a saúde em comunidades pequenas | Foto: Karina Zambrana/Governo Federal

Por Luciana Genro

Bolsonaro fala tanto em adotar uma política externa sem ideologia, mas todas as suas decisões até agora foram puramente ideológicas. Além de colocar o Brasil em rota de colisão com os países árabes, colocando em risco nosso segundo maior mercado de exportação de proteína animal, o novo governo agora resolve brincar com a saúde do povo em nome de uma disputa ideológica com Cuba.

O programa Mais Médicos possui 18.240 participantes, dos quais 8.500 são cubanos. Quem vai substituir estes profissionais? O que vai acontecer com os povoados que ficarem desassistidos? Este é o resultado da atitude puramente ideológica de Bolsonaro.

Os cubanos são os últimos em critério de prioridade no programa Mais Médicos. As vagas são oferecidas primeiro aos médicos brasileiros. Isso significa que nas 1.575 cidades onde há apenas médicos cubanos, não houve brasileiros interessados no posto. São comunidades pequenas, a grande maioria (80%) com menos de 20 mil habitantes. A saída destes profissionais vai prejudicar especialmente a população do Nordeste.

Por colocar sua ideologia reacionária à frente dos interesses do povo brasileiro e preferir ameaças ao invés de negociações, ultimatos ao invés de diálogos, Bolsonaro cria uma crise de dimensões internacionais e com implicações internas muito graves.