Luciana Genro

Ocupação Mirabal resiste em meio a ameaça de despejo

25 de agosto de 2018 09h07

A Ocupação de Mulheres Mirabal, em Porto Alegre, passa por mais um momento sensível desde a sua instalação há quase dois anos. O prédio onde estão acolhidas as mulheres vítimas de violência da Capital e da Região Metropolitana é alvo de um pedido de uso pela Inspetoria Salesiana, proprietária do prédio, e a ordem para a reintegração de posse está determinada pela Justiça, podendo ser cumprida a qualquer momento.

As coordenadoras da ocupação, Sarah Silva Domingues, Victória Chaves e Andressa Guedes, aguardam uma resposta do município para fazerem a mudança para o prédio da escola Benjamim Constant, fechada pelo Estado e cedida para a prefeitura com esta determinação de uso.

– Estamos há dois meses aguardando uma resposta da prefeitura – contabiliza Victória.

Luciana Genro, representante do PSOL, presidente da Emancipa e coordenadora da Emancipa Mulher, esteve na ocupação na sexta-feira ouvindo os relatos e as dificuldades enfrentadas pelo coletivo de mulheres. Luciana comprometeu-se a propor a organização de uma audiência pública com o apoio da bancada do PSOL na Câmara de Vereadores.

– Não vamos aceitar que as mulheres fiquem sem um local de acolhimento, quando já existe um espaço destinado para isso. Vamos exigir do Marchezan que ceda o espaço para a Mirabal – afirmou Luciana.

A Mirabal

Mesmo não sendo uma casa reconhecida oficialmente pelo Estado no atendimento às mulheres, é a Mirabal quem recebe as vítimas de violência, na sua maioria encaminhadas pela Delegacia da Mulher. A casa Viva Maria seria o espaço público destinado para receber essas mulheres, porém não tem vagas suficientes para atender a demanda. Desde o início da ocupação, em 26 de novembro de 2016, cerca de 200 mulheres já passaram pela casa e 80 ficaram abrigadas nesse período. Atualmente, há 10 mulheres e seis crianças abrigadas no local.

– Nós acolhemos mulheres em situação de rua, as que sofrem violência de pais, padrastos, irmãos, e até as que perdem as casas para disputas do tráfico nas periferias – exemplifica Victória.

Quatro mulheres trans também já foram acolhidas no local. Luciano Victorino, candidato a deputado federal pelo PSOL defendendo as causas da população LGBT, também acompanhou a visita.

– A Mirabal é muito importante porque as mulheres trans não seriam atendidas no serviço do Estado, já que poderiam não ser reconhecidas como mulheres – explica Luciano.