Luciana Genro

Arena LGBT tem noite de debate com falas de luta e emoção

06 de junho de 2018 14h28

A Arena LGBT, realizada na terça-feira no Teatro de Arena, em Porto Alegre, marca o início das comemorações do orgulho LGBT em junho. O mês é muito importante porque relembra os 49 anos da revolução de Stonewall, a invasão da polícia ao bar Stonewall-Inn, em Nova York, em 1969, acontecimento que deu início à luta LGBT como a conhecemos hoje.

O evento, promovido pelo Emancipa – ONG de educação popular e pela Emancipa Mulher – escola e braço feminista e antirracista da ONG – na noite de terça-feira, lotou o Teatro de Arena e brindou os presentes com falas de muita luta e emoção.

A Arena LGBT contou com quatro blocos sobre os temas Empoderamento, Ativismo, Educação, Violência e Segurança.  A mediação ficou por conta de Luciana Genro, fundadora e atual presidente do Emancipa e idealizadora da Emancipa Mulher, e Luciano Victorino, ativista do Juntos!.

Os slammers Hercules e Julia Lourenço fizeram as intervenções culturais nos intervalos entre um bloco e outro.

— No ano passado, o Emancipa ampliou o escopo das atividades para atuar também na educação no sentido mais amplo da palavra. Iniciamos atividades relativas aos direitos das mulheres, dos LGBTs, das negras e negros. Os direitos de todos os setores historicamente oprimidos na sociedade, buscando contribuir para uma educação para igualdade, equidade e respeito aos direitos de todos. Então esta Arena LGBT é a busca do Emancipa em se conectar de maneira mais estreita na luta dos direitos LGBT — destacou Luciana, relembrando que foi a primeira candidata à presidência que levou o debate sobre os direitos LGBTs para o centro da política nacional, nas eleições de 2014.

Luciano Victorino destacou a importância da atividade: 

— O Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo, ao mesmo tempo que há uma lacuna de políticas públicas para nós. Estimular o debate, como estamos fazendo hoje, lotar a Avenida Paulista com mais de 3 milhões de pessoas, como aconteceu na Parada LGBT de São Paulo no domingo, são expressões da nossa resistência. Os LGBTs estão cada vez mais organizados e juntos vamos derrotar o preconceito.

Os blocos

Empoderamento
O bloco começou com o resgate da história da luta do movimento LGBT, falando sobre a importância da resistência de gays e travestis na revolução de Stonewall e seguiu com a discussão sobre comunicação e propaganda ligadas à diversidade e não apenas em ações oportunistas. O debate teve ainda a apresentação do Homens Trans em Ação (HTA), coletivo que oferece um espaço seguro de socialização, além de apoio jurídico e trabalhista e de saúde, indicando médicos e psicólogos que não são transfóbicos. E da Livraria Baleia, cujo acervo tem enfoque em autoria feminina e questões de gênero e sexualidade.

Participaram do debate o jornalista e estudante de Direito na UFRGS, Ferdinando – Fernando Lúcio, o Feluxo, realizador do documentário “Princesas Impossíveis”, premiado pela Associação da Parada do Orgulho LGBT, de São Paulo; o jornalista Gabriel Galli, coordenador geral do Grupo Somos: Comunicação, Saúde e Sexualidade e co-fundador do grupo Freeda – Espaços de Diversidade; o advogado e membro do HTA, Júlio Knach, e a jornalista livreira e produtora cultural Nanni Rios.

Ativismo
O bloco reuniu diferentes tipos de representa

tividade do ativismo e destacou a diversidade do movimento escoteiro, com criação de uma coordenadoria no movimento em 2016 para promover ações com crianças e jovens de 6 a 21 anos; o ineditismo do Magia Sport Club, primeiro time de futebol inclusivo do país e o movimento Mães Pela Diversidade, que tem 23 coordenadorias estaduais para acolher mães de LGBTs e ajudar filhos que tem problemas com os seus familiares por conta de sua orientação sexual. Também foram destacados o trabalho do Venezianos Pub Café, o bar LGBT mais antigo de Porto Alegre, com 18 anos, e do GAPA, o Grupo de Apoio à Prevenção da Aids, a ONG mais importante da área no RS e que foi despejado de sua sede, em ação executada pelo governo do Estado em agosto de 2017.

Participaram do bloco Alessandra Mendonça, proprietária do Venezianos Pub Café; Carla Almeida, presidente do GAPA; Rebeca Pizzi Rodrigues, coordenadora da equipe regional de Diversidade da Região Escoteira do RS; Renan Evaldt, presidente do Magia Sport Club e Renata dos Anjos, coordenadora do Mães pela Diversidade no RS.

Educação
O bloco da Educação debateu as dificuldades da inclusão e a falta de acolhimento principalmente das pessoas trans no sistema educacional. Outra temática debatida foi a da população de rua, historicamente desfavorecida, invisibilizada e anulada como parte da sociedade. Participaram do debate Atena Beauvoir, educadora, escritora e filósofa existencialista; Claudia Penalvo, pedagoga e mestra em Educação e especialista em Educação e Psicologia Social, e Daiana dos Santos, estudante de saúde coletiva da UFRGS e educadora social do Programa Ação Rua da Fasc e militante do Juntos!.

 

Violência e Segurança
O último bloco da Arena LGBT relembrou que o Brasil é o país que mais mata LGBTs, com um assassinato a cada 19 horas, e que registrou uma explosão nas mortes de mulheres negras nos últimos anos. Somente no RS, os feminícidios cresceram 90% em 10 anos, segundo dados do Atlas da Violência 2018. Outros destaques da mesa foram o projeto Passagens, a rede de apoio a LGBTs nas prisões, e a violência histórica da polícia e de outras instituições contra as populações vulneráveis.

Participaram do debate Cilas Machado, estudante de Administração Pública e Social, morador da Restinga e ativista do Juntos Negras e Negros e Juntos LGBT; Guilherme Gomes Ferreira, assistente social, mestre e doutor em serviço social, residente de saúde da família e da comunidade, coordenador do projeto Passagens e autor do livro “Travestis e Prisões: experiência social e mecanismos particulares de encarceramento no Brasil” e Tami Res Garcia, moradora da Restinga, pesquisadora nas áreas de Criminologia, Segurança Pública e Sociologia Jurídica, com enfoque em reformas legislativas, sexualidade e composição de conflitos e mestranda em Direito e Sociedade da Universidade La Salle.

FOTOS: Victória Farias e Marino Mondek

Reveja a Arena LGBT: