Luciana Genro

Quantas Marianes mais terão que morrer?

27 de abril de 2018 16h26

Por Luciana Genro

Esta semana que passou trouxe a triste notícia do assassinato da Mariane da Silva Isbarrola. Ela e a mãe foram brutalmente mortas a facadas pelo ex-companheiro de Mariane. O motivo? Ele não aceitava a separação.

Mais um feminicídio cruel em Porto Alegre. Mariane tinha apenas 30 anos e duas filhas pequenas, que estavam em seu apartamento enquanto ela era assassinada. O feminicida já se entregou e confessou o crime.

Mariane era descrita por amigos e familiares como uma “supermãe” e uma trabalhadora dedicada. Ela era terapeuta ocupacional no CAPS de Montenegro. Sua morte deixou colegas e a comunidade do município consternados.

Quantas Marianes mais terão que morrer para o combate ao feminicídio virar uma prioridade? As delegacias da mulher carecem de efetivo e até de estrutura física. Mais do que isso: o sistema protetivo é falho e precisa ser aprimorado. É verdade que Mariane relatou ter recebido ameaças e infelizmente não chegou a registrar queixa, mas também há muitos casos de mulheres assassinadas mesmo após a formalização de uma denúncia.

Foi para fortalecer as mulheres na luta contra o machismo que criei a Emancipa Mulher, uma escola de formação feminista e resistência antirracista que oferece cursos gratuitos no Rio Grande do Sul. Estamos à disposição das professoras, assistentes sociais, conselheiras tutelares e ativistas de Montenegro para realizar atividades da Emancipa Mulher na cidade. Contem conosco!