Luciana Genro

Assédio não é paquera

11 de janeiro de 2018 09h26

Por Luciana Genro

Catherine Deneuve e suas aliadas perderam uma ótima oportunidade de ficar caladas. Receberam das suas colegas francesas uma resposta dura e certeira.

O movimento #MeToo (#EuTambém), que ganhou repercussão na cerimônia do Globo de Ouro, não tem nada a ver com puritanismo e nem com o fim da paquera. Trata-se de uma poderosa denúncia do ASSÉDIO SEXUAL.

Assédio significa constranger alguém a fazer sexo ou a permitir toques íntimos através da utilização de um certo tipo de poder que o assediador tem sobre a assediada. Ou, embora muito raro, até de uma assediadora sobre um assediado. Este poder pode ser econômico, caso dos chefes ou produtores de Hollywood, mas pode também pode ser um poder vindo da autoridade familiar (como um pai que assedia a filha) ou da força bruta, quando pelo medo da violência a mulher cede.

Sim, nós mulheres temos autonomia e força para dizer não a uma paquera indesejada. Mas quando trata-se de assédio é muito diferente pois há uma desigualdade de poder no jogo de sedução, e ele deixa de ser um jogo e passa a ser assédio.

O que chama a atenção é a enorme força desta denúncia desencadeada pelo movimento das americanas, o que já tínhamos visto no Brasil quando da campanha #MeuPrimeiroAssédio, lançada pelo coletivo feminista Think Olga.

Esta enorme repercussão demonstra como é comum esta violência, e como ela não tem nada a ver com paquera. Afinal, quem não gosta de paquerar?