Luciana Genro

Gestão e tecnologia para melhorar atendimento do SUS em Porto Alegre

05 de setembro de 2016 12h33
Plano de governo para a saúde foi detalhado ao SIMERS | Foto: Alvaro Andrade/PSOL

Plano de governo para a saúde foi detalhado ao SIMERS | Foto: Alvaro Andrade/PSOL

Em encontro promovido pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul nesta segunda-feira (05), Luciana Genro apresentou as propostas da coligação “É a vez da mudança” (PSOL, PPL, PCB) para qualificar o atendimento do SUS em Porto Alegre. A candidata lembrou que o atual governo reduziu em R$ 130 milhões os investimentos na área no último ano, prejudicando diretamente quem necessita do acesso gratuito ao serviço. Para ela, é fundamental buscar mais repasses da União e do Estado para financiar a área, mas também lembrou que a prefeitura precisa fazer sua parte e otimizar as despesas e combater a corrupção e o desperdício. Como exemplo de gestão, citou a necessidade de mudar a forma de aquisição de medicamentos para garantir oferta adequada e reduzir os gastos. “O próprio Tribunal de Contas sugeriu que a prefeitura passe a fazer as compras coletivas com o consórcio de prefeituras da região metropolitana, o que vai garantir otimizar essa despesa”, frisou.

Encontro serviu para comparar propostas entre os candidatos | Foto: Alvaro Andrade/PSOL

Encontro serviu para comparar propostas entre os candidatos | Foto: Alvaro Andrade/PSOL

Questionada sobre como combater a violência nos postos de saúde, Luciana afirmou que a questão passa necessariamente pela qualificação do atendimento, com mais profissionais e menos demora. “Precisamos garantir condições dignas de trabalho aos médicos e de atendimento à população, pois as pessoas ficam revoltadas de chegar no posto e não serem atendidas”. Ela ainda citou que a Guarda Municipal precisa ser incrementada para conectá-la  com as comunidades e locais onde está situada. “A presença temporária da Força Nacional não vai resolver, precisamos uma politica de segurança pública efetiva da prefeitura, o que até hoje nunca existiu”, criticou.

Para ampliar o Programa de Saúde da Família, defendeu o aumento na cobertura do atendimenento, que hoje é inferior a 50% da população, enquanto em capitais como Florianópolis atinge praticamente 100%. Já para reduzir as filas nos postos, apresentou a proposta do telessaúde, que permite o contato telefônico entre os médicos de saúde da família e especialistas para solicitar exames e agilizar diagnósticos. “Precisamos revogar essas portarias que impedem os médicos de pedirem exames, o que aumenta a fila para especialidades. O telessaúde já é usado em outros municípios e proporcionou redução de até 70% na fila de espera”, informou. Ao finalizar, Luciana Genro ainda assegurou que o governo do PSOL fará uma “gestão técnica e programática” com diálogo com médicos, entidades e profissionais da área.

Vice-presidente do SIMERS, Dra. Maria Rita, recebeu cópia do plano de governo.

Vice-presidente do SIMERS, Dra. Maria Rita, recebeu cópia do plano de governo. | Foto: Thiago Lazeri/PSOL

No encontro, o SIMERS apresentou o Dossiê da Saúde,, com os principais problemas em Porto Alegre. Confira alguns dos itens que constam no levantamento: 

– Leitos: Levantamento do SIMERS apontou que foram suprimidos 431 leitos entre julho de 2015 e julho de 2016.

– Atendimentos em Pronto Atendimento: mais de 70% das consultas não são de urgência e poderiam ser resolvidas em postos.

– Informatização: problemas técnicos, falta de atualização do sistema e falta de rede conectada com central para agendamento.

– 28 mil pessoas esperam consultas com especialistas: Ortopedia, Oftalmologia, Neurologia e Otorrinolaringologista são as mais requisitadas.

– Vistorias do SIMERS apontam principais problemas nos postos: número insuficiente de médicos (58%), falta medicamentos (51%), móveis deteriorados e espaço físico perqueno (55%), ventilação precária (100%), sem vacinação por falta de geladeira (67%), presença de animais e insetos – ratos, pulgas, mosquitos e baratas (77%) e infiltração (89%).

– Saúde mental: leitos e serviços ambulatoriais insuficientes, pacientes ficam em colchonetes no chão em emergências, em afronta aos direitos humanos.

– Segurança: ocorrências crescem 115% em 2015, chegando a 22 casos. Em 2016, até fim de agosto, foram 11 casos, com violência crescente.

– Carreira médica: falta de plano de carreira que garanta valorização dos profissionais. Medidas vão de proporcionalidade na remuneração por jornada (20h, 30h e 40h), pagamento de insalubridade a todos os médicos e condições de trabalho.