Luciana Genro

Mulheres debatem construção de um programa feminista para a cidade

25 de maio de 2016 16h06
Foto: Rafa Marques/Divulgação

Evento “Porto Alegre das Gurias – Cidade Feminista” ocorreu no sábado, 27/05, no Amadeus Lounge, na Cidade Baixa | Foto: Rafa Marques/Divulgação

Centenas de pessoas se reuniram na tarde de sábado (21/05) para debater a construção de um programa de políticas para as mulheres em Porto Alegre. O evento “Porto Alegre das Gurias – Cidade Feminista” ocorreu no bar Amadeus Lounge, na Cidade Baixa, e contou com a presença de Luciana Genro e Nathi Bittencurt.

A atividade começou com uma intervenção das secundaristas que estão ocupando escolas em Porto Alegre. Elas destacaram o papel das meninas no movimento. “Na nossa ocupação, os meninos estão na cozinha e nós estamos nas comissões de segurança, organização e comunicação”, disse Maria Eduarda, presidente do grêmio do Colégio Protásio Alves.

Luciana Genro falou sobre o processo de construção coletiva de um programa de governo para Porto Alegre, ancorado na plataforma Compartilhe a Mudança e articulado entre a participação virtual e encontros presenciais. Na plataforma, há um tema dedicado a políticas para mulheres, onde é possível deixar propostas para esta área.

Luciana defendeu a criação de “brigadas feministas” que percorreriam os territórios da cidade com informações e iniciativas de acolhimento às mulheres, articulando esta ação com outros programas de assistência social e segurança pública.

Nathi Bittencurt, diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE), falou sobre as mobilizações da chamada “primavera feminista” e defendeu a necessidade de construção de uma Porto Alegre acolhedora e segura para as mulheres. “Ocupamos as redes com hashtags de denúncias. E elas impulsionam as grandes mobilizações que fizemos nas ruas”, disse.

Confira as propostas sugeridas pelas mulheres no encontro:

Mais segurança
A principal tônica da fala de todas as mulheres foi a questão da segurança. O entendimento é de que políticas de segurança para as mulheres devem estar presentes em todos os eixos do governo, tanto no combate quanto na prevenção.

Táxis
Uma grande preocupação das mulheres é em relação à segurança ao pegar um táxi, fruto do assédio que não raro sofrem de taxistas. A proposta de maior fiscalização e punição vem acompanhada de outro encaminhamento, já tomado pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), que estava na atividade e relatou que seu projeto de cota para mulheres taxistas já foi aprovado e aguarda sanção da prefeitura.

Procedimentos unificados
Os procedimentos de atendimento a mulheres vítimas de violência são diversos e dispersos. A vítima passa por diferentes tipo de atendimento que não se comunicam entre si, tendo que recontar a violência que sofreu várias vezes, reproduzindo, por tanto, um trauma. A proposta é que haja um procedimento integrado de atendimento entre os diversos órgãos que prestam esse serviço na cidade.

Atendimento a menores
Meninas menores de 18 anos que são vítimas de violência sexual não são atendidas na Delegacia da Mulher e são encaminhadas à Delegacia da Criança e do Adolescente, onde sequer são ouvidas. A proposta é que meninas a partir de 13 anos contem com atendimento especializado na Delegacia da Mulher.

Casas noturnas
Foi feita a proposta de que a prefeitura reduza a cobrança de impostos para casas noturnas que contratarem um determinado percentual de mulheres seguranças. Isso traria mais tranquilidade às mulheres, que são frequentemente assediadas em festas e têm esses casos mediados por seguranças homens, que não raro tomam o lado dos agressores.