Luciana Genro

“Criar em Porto Alegre uma cidade das mulheres é um desafio de subversão”, diz Luciana Genro

16 de dezembro de 2015 10h48
Nossa cidade é parte do desafio maior que é combater o machismo, a opressão e a exploração em todo o mundo", disse Luciana Genro

Nossa cidade é parte do desafio maior que é combater o machismo, a opressão e a exploração em todo o mundo”, disse Luciana Genro

Redação #Equipe50

Centenas de pessoas ocuparam a Praça da Matriz, no Centro de Porto Alegre, na tarde desta terça-feira (15/11), para debater a luta feminista e o direito à cidade. O evento, idealizado por Luciana Genro, contou com a presença da filósofa Marcia Tiburi, da antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, da vereadora da Capital Fernanda Melchionna (PSOL), da militante do movimento negro Winnie Bueno e da militante do coletivo Juntas, Marcela Pellin. A atividade contou, ainda, com uma apresentação musical de Bhia Tabert e de sua banda composta totalmente por mulheres.

Luciana Genro entende que “criar em Porto Alegre uma cidade das mulheres é um desafio de subversão desta ordem capitalista, que propõe às mulheres serem simplesmente objetos de maior exploração”. Para a dirigente do PSOL, é preciso que a Capital aumente o orçamento para políticas públicas para as mulheres, que em 2014 foi de apenas R$ 400 mil. “Nós somos maioria, somos 53% da população de Porto Alegre. Não é apenas uma pessoa ou um partido que vai construir uma cidade das mulheres. Isso só vai acontecer se as próprias mulheres se imbuírem deste movimento. Nossa cidade é parte do desafio maior que é combater o machismo, a opressão e a exploração em todo o mundo”, argumentou.

Marcia Tiburi disse que somente uma prefeita pode priorizar as políticas para mulheres na cidade

Marcia Tiburi disse que somente uma prefeita pode priorizar as políticas para mulheres na cidade

Luciana também defendeu a ocupação dos espaços públicos e a radicalização da democracia. “Junho de 2013 não foi em vão e deixou a ideia de que temos que tomar as ruas, praças e construir uma democracia participativa”, disse.

Márcia Tiburi ressaltou a necessidade de as mulheres ocuparem os espaços públicos como forma de reivindicar o direito à cidade. “Estamos comovidas por estarmos aqui na praça. Precisamos de uma cidade em que as mulheres ocupem as ruas, como estamos fazendo agora neste momento tão poético e político”, resumiu. A filósofa, que está organizando a #Partida – um partido político feminista -, disse que Porto Alegre “tem que ter uma prefeita na próxima eleição” e destacou que não é possível construir uma cidade das mulheres com um homem no comando do Executivo municipal. “É importantíssimo ocupar os espaços de poder para rachar o poder e descontrui-lo. Temos que quebrar a estrutura patriarcal do poder, para isso as mulheres precisam se filiar em partidos, se candidatar e governar”, incitou.

Winnie Bueno destacou a luta das mulheres negras nas cidades e o combate ao genocídio do povo negro

Winnie Bueno destacou a luta das mulheres negras nas cidades e o combate ao genocídio do povo negro

Integrante do movimento negro e militante do coletivo Juntos na cidade de Pelotas, Winnie Bueno lembrou que a praça ocupada para o debate “é a mesma praça em que as mulheres negras eram vendidas como escravas há 200 anos”. Ela ressaltou as especificidades da luta e da vida das mulheres negras na cidade e no país. “Nós somos, historicamente, a força de trabalho. Enquanto as brancas pediam direito ao trabalho, nós pedíamos um dia de descanso”, relatou.

Winnie também comentou a violência policial, que atinge especialmente a população negra nas periferias. “Construir uma cidade das mulheres implica em desmilitarizar a polícia. Não podemos mais viver numa cidade onde o fato de ser uma mulher negra seja uma sentença de morte ou de dor”, lamentou.

Rosana Pinheiro-Machado lembrou que o direito à cidade sempre foi pensado por homens e para homens

Rosana Pinheiro-Machado lembrou que o direito à cidade sempre foi pensado por homens e para homens

A vereadora Fernanda Melchionna destacou a necessidade de se construir mais creches públicas e aumentar as vagas para crianças pequenas como forma de garantir o direito das mães ao trabalho. “É fundamental romper com a ideia de que os filhos são de responsabilidade apenas da mulher. Hoje faltam vagas nas creches de Porto Alegre, especialmente nos bairros mais pobres e para as crianças de 0 a 5 anos.”

Já a antropóloga Rosana Pinheiro-Machado considera que “a ocupação de uma praça no Centro da cidade por mulheres é um sopro de esperança e uma maneira excelente de olhar para 2016”. A professora universitária recordou que o direito à cidade “sempre foi pensado por homens e para homens” e definiu o empoderamento das mulheres como uma luta por “laços sociais, solidariedade e conhecimento”.

Fernanda Melchionna cobrou mais vagas em creches públicas, especialmente nas periferias

Fernanda Melchionna cobrou mais vagas em creches públicas, especialmente nas periferias

A militante do coletivo Juntas, Marcela Pellin, falou sobre a luta dos estudantes secundaristas em São Paulo, que foi liderada por meninas e que consolidou a consigna: “Lute como uma mulher”.

Após as falas das debatedoras, o evento ouviu os depoimentos, cobranças e sugestões das mulheres presentes no evento. Diversas propostas para combater o machismo e empoderar as mulheres foram apresentadas pelo público, dentre elas a necessidade de combate à prática da terceirização, a descentralização dos debates e das políticas públicas para a periferia, a melhoria da rede de assistência e acolhimento às mulheres vítimas de violência e o atendimento de meninas menores de idade pela Delegacia da Mulher – atualmente, as menores vítimas de violência são atendidas pelo DECA.

Veja mais fotos do evento “Porto Alegre: Cidade das Mulheres”

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL

| Foto: Luciano Victorino/PSOL