Luciana Genro

Contra o impeachment e sem medo de se misturar, mas com uma política independente

11 de dezembro de 2015 15h47
"Estive na tarde de hoje (11/12) em um ato em Porto Alegre, em frente ao busto de Leonel Brizola – o governador que deflagrou a Campanha da Legalidade – para dizer: 'Fora Cunha, não ao golpe!'"

“Estive na tarde de hoje (11/12) em um ato em Porto Alegre, em frente ao busto de Leonel Brizola – o governador que deflagrou a Campanha da Legalidade – para dizer: ‘Fora Cunha, não ao golpe!'”

Por Luciana Genro

Estive na tarde de hoje (11/12) em um ato em Porto Alegre, em frente ao busto de Leonel Brizola – o governador que deflagrou a Campanha da Legalidade – para dizer:”Fora Cunha, não ao golpe!”. O PSOL é contra o impeachment e contra o golpismo de Eduardo Cunha. Golpismo que ganhou a companhia de Michel Temer, que tem dado todos os sinais de que trabalha para assumir a Presidência da República.

Mas eu também tenho dito que esta posição não é suficiente. É uma posição cômoda, que simplesmente declara um voto, mas que assiste o país avançar para um golpe consumado por um Congresso corrupto. Para barrar este golpe é preciso que o povo tome as ruas. Mas, justificadamente, o povo não quer defender o governo, que aplica um duro ajuste nas costas dos trabalhadores e da classe média. Esta ausência do povo nas ruas não pode, porém, fazer com que o PSOL aceite que este Congresso decida o futuro do país.

Na tentativa de lutar para evitar que o Congresso corrupto deponha uma presidente eleita pelo voto direto – eleita, porém desacreditada, pois governa com um programa oposto ao que defendeu nas eleições –, apresentei a ideia de que o próprio governo proponha a realização de eleições gerais antecipadas em 2016. Se o governo assumisse esta política seria muito mais provável a derrota do impeachment, pois os que estão legitimamente indignados com a corrupção, a carestia e o desemprego, mas também não querem que Cunha e Temer sejam vitoriosos no seu golpismo, veriam uma perspectiva de mudança no horizonte e não a mera continuidade do governo por mais três anos.

Neste caso o governo não cairia por um impeachment golpista e o PT poderia apresentar sua intenção de continuar governando, as distintas oposições se apresentariam, inclusive o PSOL, e se abriria um debate no país sobre quais as saídas para esta crise. Este debate foi interditado no segundo turno, pois Dilma insistiu que não havia crise e disse que quem iria aplicar um ajuste contra o povo seria Aécio Neves.

Esta proposta gerou muitos debates e críticas. Consegui ler muitas delas e quero dizer que respeito profundamente a divergência educada e politizada de ideias e de propostas para a saída da crise. Só que enquanto uma alternativa não for organizada pela esquerda, o Congresso Nacional ganhará cada vez mais peso de decisão, embora seja cada vez mais ilegítimo, corrupto e reacionário.

Tenho convicção de que se não apostarmos no empoderamento popular será o Congresso a tomar as decisões e elas não serão boas para o povo. É claro que o resultado de uma eleição geral poderia ser também a vitória da direita tradicional. Mas eles só ganhariam as eleições se não falarem o que de verdade farão. Só ganhariam mentindo ao povo, prometendo melhorias. Neste caso, então, o choque com o povo viria rápido e a reação seria muito maior. Do contrário, no quadro atual, esta mesma direita pode levar o poder sem eleições e sem que o povo tenha que fazer uma nova experiência democrática, ainda que seja nesta nossa democracia que tem muito de fachada.

Sigamos juntos e juntas nesta luta e neste debate!