Luciana Genro

Luciana Genro responde à Câmara: “Guerra às drogas não atinge financiadores do tráfico”

08 de setembro de 2015 16h15

Por Redação #Equipe50

Foto: Reprodução do Twitter

Afirmação de Luciana Genro no Twitter irritou Marco Feliciano e Eduardo Cunha | Foto: Reprodução do Twitter

A ex-deputada federal e candidata à Presidência da República pelo PSOL em 2014, Luciana Genro, enviou nesta terça-feira (08/09) sua resposta à interpelação extrajudicial feita pela Câmara dos Deputados. O pedido de explicações da Câmara foi feito porque Luciana disse, em seu perfil no Twitter, que os grandes traficantes estão, inclusive, no Congresso Nacional.

A afirmação irritou o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que solicitou providências ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na resposta à interpelação, Luciana reafirma sua posição e cita o caso do helicóptero da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), que foi apreendido pela Polícia Federal no dia 24 de novembro de 2013 com 450 kg de cocaína.

– Veja aqui a íntegra da resposta de Luciana Genro à Câmara dos Deputados
– Veja aqui a íntegra da interpelação extrajudicial enviada pela Câmara à Luciana Genro

Veja trechos da resposta de Luciana Genro à Câmara:

“É público e notório, e oficialmente quantificado, que os traficantes que encontram-se encarcerados são oriundos das favelas, jovens pobres e em sua imensa maioria negros. É evidente, também, que não são estes que sustentam o grande tráfico, cujos recursos são de gigantesca monta. Portanto é uma verdade inconteste que a guerra às drogas não atinge os financiadores do tráfico, mas apenas os seus operadores. Quanto ao fato dos grandes traficantes estarem, inclusive, no Congresso Nacional, tivemos uma evidência explícita deste fato quando da apreensão do helicóptero pertencente à família do Senador Zezé Perrela, com 450 kg de cocaína, feita pela Polícia Federal do Espírito Santo, em 24 de novembro de 2013. É também notório que tal fato não ensejou a prisão do Senador, nem de seu filho, proprietário da empresa e
deputado estadual. Estes ficaram fora do alcance punitivo da guerra às drogas, blindados pelas suas relações com o poder.

Esta interpelação, feita a pedido do deputado Marcos Feliciano e do Presidente da Câmara Eduardo Cunha, tem por objetivo, na verdade, defender a posição política de ambos, uma posição reacionária e preconceituosa a respeito da chamada ‘guerra às drogas’ que norteia a política de segurança pública e que milhares de vítimas produz a cada ano.”