Luciana Genro

“Marina é contra o casamento civil igualitário, mas quer casar de papel passado com os banqueiros” diz Luciana Genro a universitários da PUC-SP

12 de setembro de 2014 17h43

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, participou na manhã desta sexta-feira (12) do debate “Só a Luta muda A vida” na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). No evento, que contou com a participação de mais de 500 estudantes, Luciana apresentou suas propostas em áreas de interesse da juventude, como educação, economia e segurança pública, com ênfase na política de drogas. A candidata também relembrou as manifestações de junho de 2013, quando os jovens tomaram as ruas para exigir mais e melhores direitos. Na mesa, estiveram presentes também outros candidatos do partido em São Paulo: Isa Penna, candidata estadual, e Plínio Gentil e Thiago Aguiar, postulantes a deputado federal.

As questões econômicas ocuparam boa parte do evento, no momento em que a candidata do PSB, Marina Silva, declarou que dará autonomia total ao Banco Central. Sobre a polêmica, Luciana chamou a atenção para o discurso contraditório de sua adversária. “Marina nega os direitos LGBTs, não defendendo o casamento civil igualitário, mas defende o casamento de papel passado com os banqueiros, defendendo a autonomia formal, em lei, do Banco Central” afirmou a presidenciável do PSOL.

Luciana teve a oportunidade de apresentar aos estudantes suas propostas na área da economia e disse que seu governo vai promover mudanças estruturais, “mudanças imprescindíveis e que tem que ser feitas de forma imediata”. “Não podemos mais tolerar que a economia do Brasil siga amarrada aos interesses do grande capital financeiro. Medidas concretas vão garantir os recursos públicos sejam utilizados para melhorar a saúde, educação e o transporte público”, defendeu a presidenciável.

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

Sua principal proposta nessa área é regulamentar o imposto sobre as grandes fortunas. “Ele será uma fonte de recursos e de justiça, pois o 1% milionários tem que ceder aos 99% da sociedade”, disse Luciana. A ideia é que fortunas acima de R$ 50 milhões paguem uma alíquota de 5% ao ano. “Esta é uma medida que consta na Constituição desde 1988 e até hoje não foi regulamentada. Fazendo os milionários pagarem mais poderemos baixar os impostos da classe trabalhadora e dos profissionais liberais”, declarou.

A auditoria da dívida pública também é um dos eixos do programa de governo do PSOL para que tais mudanças estruturais possam ser feitas. “Encaramos a Dívida Pública como uma verdadeira Bolsa Banqueiro. É um mecanismo institucional absolutamente ilegítimo. Consome mais de 40% do Orçamento da União e beneficia somente as 5 mil famílias mais ricas do país. Nossa primeira medida será realizar a auditoria da dívida, como ocorreu no Equador, lá eles conseguiram anular 70% do total da dívida”, apontou.

Segurança pública e guerra às drogas

Política de drogas e segurança pública foram temas perguntados pelos estudantes. Luciana disse que as duas questões estão profundamente ligadas. “A política de segurança no Brasil é basicamente uma política de guerra às drogas. Amarildo, Cláudia, PG e tantos outros anônimos foram mortos pela polícia sob o manto da guerra às drogas. Tornou-se comum a ideia de que a polícia pode matar traficantes de drogas. Essa política atinge apenas os pequenos traficantes, esse exército de jovens recrutados nas favelas, e não atingem os grandes, que não estão na favela”, afirmou a candidata.

Para resolver os graves problemas da segurança pública, Luciana propõe a descriminalização da maconha, para quebrar um dos braços do narcotráfico e tratar o uso da droga como questão de saúde pública. A desmilitarização da polícia também é uma meta da candidata. “Precisamos encerrar a política de repressão e assassinato dos mais pobres pelo Estado e humanizar o próprio trabalho dos policiais”, disse.

Legado das manifestações

A presidenciável do PSOL lembrou as manifestações de junho de 2013, que questionaram a política e os partidos tradicionais, e que tiveram conquistas reais, como a queda das tarifas de ônibus e o fim do voto secreto na Câmara, mas lamentou a falta de organização. “Tivemos vitórias importantes em junho, mas aquém do tamanho das mobilizações. Nossa tarefa nessa eleição é organizar a indignação latente na população”, apontou Luciana.