Luciana Genro

Em entrevista a Rafinha Bastos, Luciana Genro diz que “não adianta vencer a eleição e não poder fazer as transformações necessárias”

24 de setembro de 2014 13h57

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

No início da madrugada desta quarta-feira (24), foi ao ar a entrevista concedida pela candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, ao programa Agora é Tarde, do humorista Rafinha Bastos. Na sabatina, que ganhou destaque nas redes sociais e levou o nome de Luciana aos Trending Topics do Twitter, a presidenciável reforçou a necessidade de se manter coerente e fiel às necessidades do povo: “Eu não quero ganhar a qualquer custo. Eu acho que não adianta vencer a eleição e não poder fazer as transformações necessárias”, disse ela, destacando que repudia atalhos para o poder como os usados pelo PT e por Marina Silva, que se aliaram a setores reacionários e oligarquias políticas em troca da viabilidade eleitoral.

Questionada sobre sua defesa de bandeiras que contrariam posições conservadoras, como a descriminalização das drogas e do aborto, Luciana ressaltou a necessidade de fazer um debate nacional produtivo e maduro sobre essas questões. “Esses temas que estou defendendo são mal debatidos, então há uma visão distorcida sobre cada um deles. Por exemplo, no caso do aborto, ninguém é a favor do aborto, ninguém quer usar o aborto como método contraceptivo. Acontece que milhares de mulheres morrem todos os anos vítimas de aborto clandestino, como duas que agora foram notícia. Então, o aborto é uma realidade. Como o Estado lida com isso? Respeitando as religiões, e aí cada um decide o que faz, de acordo com sua crença, mas o Estado oferecendo um acolhimento a essa mulher”, explicou a candidata.

Taxação das grandes fortunas

Luciana também defendeu sua proposta de fazer uma revolução tributária com a taxação de grandes fortunas e de aumentar os impostos sobre o capital para desonerar os trabalhadores e o setor produtivo. Quando o entrevistador perguntou se a taxação não levaria os milionários a retirar seu dinheiro do país para evitar a cobrança, a presidenciável respondeu: “Eles vão ser tributados lá fora também, porque a maior parte dos países ditos desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, têm forte tributação sobre a riqueza e a propriedade”, disse a presidenciável.

A candidata do PSOL também destacou que o dinheiro usado pelos mais ricos para especular no mercado financeiro não contribui para o desenvolvimento do país. “Esse dinheiro que fica na especulação não serve pra nada, ele não enriquece o Brasil. Ao contrário, ele suga o dinheiro dos nossos impostos para pagar juros da dívida. Há uma desvinculação total entre o setor produtivo e a especulação, os empresários produtivos acabam deixando de investir na produção para botar na especulação, porque na produção tem risco e carga tributária muito maior”, ponderou Luciana.

Experiências socialistas

Ao ser questionada sobre outras tentativas de socialismo em outros países, Luciana defendeu a necessidade de criação de um novo modelo. “A gente não teve nenhuma experiência de socialismo no sentido pleno da palavra, porque socialismo não é só economia sob controle do Estado; é Estado sob controle do povo, com liberdade plena e democracia. A queda do Muro de Berlim e o desmantelamento da União Soviética foi uma coisa boa, porque antes o modelo era ruim, e agora não tem mais modelo, nós precisamos construir o modelo”, afirmou a presidenciável.

Vídeo na íntegra