Luciana Genro

“É totalmente possível governar sem o PMDB, impossível é governar sem o povo”, diz Luciana Genro em sabatina para ouvintes do ABC paulista

19 de setembro de 2014 12h12

Por Redação #Equipe50

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, disse em entrevista, por telefone, na manhã desta sexta-feira (19) para a Rádio ABC, da Grande São Paulo, que tem convicção de que é possível governar sem o PMDB. “É totalmente possível governar sem o PMDB, impossível é governar sem o apoio do povo”, disse a candidata. Nesta semana, o vice na chapa de Marina Silva, Beto Albuquerque, declarou ser impossível governar sem o partido de José Sarney e Renan Calheiros.

Segundo Luciana, para aprovar as propostas do PSOL de reestruturação da economia, com taxação de grandes fortunas, reforma no sistema tributário e auditoria na dívida, ela se apoiará na pressão popular e não no balcão de negócios entre Planalto e Congresso, prática comum a todos os governos até hoje. “Como muitas das propostas que os governos querem aprovar não têm apelo popular, na verdade muitas têm o repúdio do povo, os partidos precisam trocar ministérios e emendas parlamentares por apoio político para conseguirem aprovação dessas medidas. No meu governo isso não ocorrerá, pois governarei para a maioria. As minhas propostas vão contrariar interesses dos milionários e dos bancos para privilegiar os interesses da população, por isso terei o apoio popular comigo. Se o PSOL ganhar as eleições é um sinal de que a população comprou a nossa briga e vai nos ajudar nisso. E faz muita diferença quando há pressão popular, seja como nas manifestações de junho de 2013, seja simplesmente enchendo as galerias do Congresso”, disse a candidata do PSOL.

Economia

Luciana também falou sobre duas de suas principais bandeiras nessas eleições, a taxação sobre grandes fortunas e a reforma no sistema tributário. “O número de bilionários aumentou no Brasil do ano passado para cá em 22%, resultado de um sistema tributário injusto. Ele ataca fortemente o assalariado, através de uma forte tributação sobre o salário e sobre o consumo, e é fraco sobre os bancos, sobre os lucros e sobre os milionários. Por isso defendo a taxação sobre as grandes fortunas. A proposta é que fortunas acima de R$ 50 milhões paguem uma alíquota de 5% ao ano. A partir dessa tributação nós já poderíamos dobrar os investimentos em educação”, disse.

Financiamento de campanha

A candidata do PSOL voltou a criticar a participação de multinacionais, empreiteiras e bancos no financiamento de campanha. “A participação desses setores dá origem a uma relação promíscua entre o setor privado, os partidos e os políticos. Esses segmentos colaboram com as campanhas e depois vão cobrar. Veja o exemplo da Friboi, que conseguiu R$ 7 bilhões em empréstimos do BNDES a juros de pai para filho. O governo Dilma faz esses tipos de favores e recebe em troca R$ 5 milhões da empresa”, afirmou Luciana. A presidenciável também chamou a atenção para a disparidade entre seus gastos de campanha e de alguns de seus adversários. “O teto de campanha da Dilma é de R$ 300 milhões. Eu gastei até agora R$ 200 mil. A Dilma, o Aécio e a Marina devem gastar isso em um dia de campanha”, finalizou.

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