Luciana Genro

A Polícia Militar não tem licença para matar

19 de setembro de 2014 15h03

Por Luciana Genro

Crédito: Reginaldo Castro / Estadão Conteúdo

Crédito: Reginaldo Castro / Estadão Conteúdo

Brutal e chocante a execução, à sangue frio, do vendedor ambulante Carlos Augusto Muniz, ontem em São Paulo.

A declaração da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo dizendo que “não compactua com desvios de conduta” é vergonhosa. Não apenas compactua, como estimula situações deste tipo ao manter a polícia militarizada, com treinamento para guerra. Somente com a desmilitarização da polícia e com formação dos policiais em direitos humanos poderemos evitar casos como este.

É inaceitável que a polícia seja colocada para perseguir vendedores ambulantes, trabalhadores excluídos do mercado formal, que lutam diariamente pela sobrevivência e dignidade das suas famílias.

O assassinato de Carlos e a ação que desalojou violentamente os moradores de uma ocupação urbana em São Paulo essa semana mostram a orientação política de criminalizar e reprimir o povo pobre e trabalhador.

Para quem não viu, aqui está a reportagem da Record com as imagens que não deixam dúvidas de que o tiro não foi acidental.

Não vamos aceitar esse massacre calados. O povo deve lutar por seus direitos e contra a violência do Estado.