Luciana Genro

“A maior parte dos países da Europa tem imposto sobre fortunas”, diz Luciana Genro em sabatina na Ulbra TV

15 de setembro de 2014 23h42

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, foi entrevistada nesta segunda-feira (15) no programa Conexão RS, da Ulbra TV, de Porto Alegre-RS.

Questionada sobre suas propostas para a economia, Luciana defendeu a ruptura com o modelo que favorece poucas famílias milionárias às custas da maioria da população. “A fonte de crise é essa política econômica, que faz com que o esforço produtivo do país seja drenado para o interesse de poucos. A mudança na política econômica não precisa de uma mudança legal, precisa de uma mudança de governo”, afirmou a candidata.

Luciana propôs a criação do imposto sobre as grandes fortunas, com a tributação em 5% da riqueza das famílias com patrimônio acima de R$ 50 milhões. Ela admitiu que a proposta enfrenta resistência dos setores que controlam a economia e a mídia e ressaltou que o projeto é viável e já foi implementado em outras nações. “É claro que eles fazem um certo terrorismo, porque não querem que se aumente a tributação sobre os milionários. As medidas que estamos propondo não são assim tão radicais. A maior parte dos países da Europa tem imposto sobre fortunas”, disse a presidenciável.

Para aprovar essas medidas que contrariam interesses poderosos de empresários e dos partidos que estão a serviço dos ricos, a candidata do PSOL propõe contar com o apoio da mobilização popular. Segundo Luciana, a pressão da sociedade organizada sobre os políticos garantiria a aprovação de projetos favoráveis à maioria. “Eu fui deputada por oito anos. Vi como muda a correlação de forças no Congresso quando temos mobilização e pressão social”, disse ela.

Direitos LGBTs

Luciana afirmou que ainda temos, no Brasil, muita discriminação contra homossexuais, travestis, transexuais e lésbicas, e por isso são necessárias políticas que garantam a dignidade às vítimas de preconceito. “Garantir o casamento civil igualitário é, também, uma forma simbólica de se lutar contra a homofobia. Há pressões, mas elas são resultados dos avanços. As marchas LGBTs têm se proliferado pelo Brasil, atraindo milhões de pessoas”, disse a presidenciável, que também citou a importância de afirmar e garantir a laicidade do Estado.

Políticas para as mulheres

“Vejo que tem um conjunto de políticas públicas de interesse das mulheres que nem Dilma, nem Marina defendem. Dilma prometeu que iria construir 70 mil creches no país e não cumpriu nem 10% disso. É uma hipocrisia dizer que as mulheres precisam trabalhar e ingressar na política e, ao mesmo tempo, não oferecer creches”, disse Luciana.

Sobre a questão do aborto, outra área em que as mulheres são negligenciadas pelo poder público, Luciana propôs a descriminalização como o caminho para evitar milhares de mortes. “A tragédia do aborto, que mata milhares de mulheres, é um problema que precisa ser enfrentado. O aborto é, infelizmente, uma realidade trágica. É quarta causa de morte materna no Brasil. Mesmo as mulheres que podem pagar não estão a salvo quando fazem um aborto clandestino”, disse ela.

Previdência

Luciana propôs o fim do fator previdenciário, que promove arrocho das aposentadorias ao longo dos anos. “O FHC criou o fator previdenciário e, na época, o PT foi contra. Depois, o PT chegou ao poder e manteve o fator. Nós vamos acabar com o fator previdenciário. Sabemos que há recursos para isso, sim”, disse a candidata, que lembrou que a previdência é apenas uma das partes constituintes da Seguridade Social, que tem recursos suficientes para garantir o pagamento justo aos aposentados. “A Seguridade Social é tão superavitária que 20% de suas receitas são desviadas para pagar juros da dívida pública”, afirmou a presidenciável.

Cultura

“O principal é que a gente mude o sistema de financiamento dos projetos culturais, que ocorre fundamentalmente pelo setor privado. O setor privado recebe isenção de impostos e escolhe apoiar os artistas que já são conhecidos. Vamos promover licitações onde todos os artistas poderão concorrer a esse patrocínio, que deve ser democratizado”, sugeriu a candidata.

Nova Política

“Nós estamos sempre denunciando essa lógica dos partidos que ressuscitam as oligarquias políticas. Se nós quiséssemos o caminho fácil, a aliança com os políticos tradicionais, teríamos ficado no PT. Optamos por construir um novo partido, que fala claramente na campanha eleitoral que vai contrariar interesses”, disse Luciana.

Democratização da mídia

“Já ouvi falar muito bem da Ley de Medios da Argentina. O que temos no Brasil não é uma verdadeira liberdade de imprensa. No Brasil, temos liberdade para os donos da imprensa, não para a imprensa. Queremos uma mídia democrática”, ponderou a candidata, acrescentando que é necessário fazer uma auditoria nas concessões de rádio e TV para acabar com absurdos como políticos colocam usarem “laranjas” para controlar emissoras e driblar a legislação.

Ensino superior

Luciana propõe a universalização do acesso à universidade pública e o fechamento das torneiras de recursos públicos para instituições privadas. “Tivemos maior acesso à universidade, mas os avanços foram limitados pela escassez de recursos. Se abriu mais vagas nas universidades, mas não se criou uma infraestrutura para isso”, disse a presidenciável, que também defendeu políticas de incentivo aos estudantes de baixa renda: “Não adianta apenas abrir mais vagas nas universidades e não dar condições para que o estudante termine o curso.”