Luciana Genro

Na periferia de Belém, Luciana Genro afirma que vai “contrariar interesses e governar para a maioria do povo”

21 de agosto de 2014 13h31

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

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A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, cumpre agenda de campanha em Belém, no Pará, nesta quinta-feira (21/08). Durante o período da manhã, Luciana percorreu o bairro Terra Firme, às margens do Rio Tucunduba, e defendeu uma inversão de prioridades na política econômica do país para que os interesses da maioria do povo possam ser atendidos.

“Temos dito com muita clareza que nós não vamos governar para todos. Quem diz que vai governar para todos acaba governando para os mesmos de sempre, para as elites, para os banqueiros, para os grandes financiadores das campanhas e para o mercado financeiro. Nós vamos governar para a maioria do povo”, disse.

O pronunciamento de Luciana Genro ocorreu na ponte sobre o canal do Rio Tucunduba, juntamente com o candidato do PSOL ao governo do Pará, Marco Carrera, o candidato do partido ao Senado, Pedrinho Maia, e o ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, que concorre à Câmara dos Deputados pelo PSOL. Em 2004, no último ano de sua gestão, Edmilson iniciou as obras de macrodrenagem da região do Tucunduba, que é a segunda maior bacia hidrográfica da cidade e corta sete bairros da capital paraense. Contudo, a obra acabou sendo paralisada pelos governos que o sucederam e, embora esteja incluído no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto está paralisado há cerca de 10 anos, sem qualquer intervenção dos governos municipal, estadual e federal.

Enquanto isso, a população da região é obrigada a viver em palafitas e sem nenhum tipo de acesso a saneamento básico. “Não é a primeira vez que eu venho aqui e não é a primeira vez que venho nestes locais onde a população vive nas palafitas, sem saneamento, sem urbanização, sem condições dignas de moradia. Quando venho ao Pará e vejo essa situação, volto com mais ânimo e mais garra para continuar a nossa luta”, comentou Luciana Genro.

Saneamento Básico

Crédito: Divulgação PSOL

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De acordo com dados obtidos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do IBGE, realizada em 2012, dos 62,8 milhões de domicílios particulares existentes no Brasil, apenas 35,8 milhões – ou seja, 57% – possuem rede coletora de esgoto. Isso significa que 27 milhões de residências no país não possuem acesso a esse serviço público essencial.

Os recursos do governo federal para a área de saneamento corresponderam, em 2013, a apenas 0,04% do orçamento – cerca de R$ 628 milhões. Luciana Genro defende a criação do imposto sobre as fortunas acima de R$ 50 milhões, com uma alíquota de 5% ao ano, a taxação dos bancos e auditoria na dívida pública brasileira como formas de se obter os recursos necessários para investimentos em serviços públicos de qualidade para a população, como é o caso do saneamento.

“Marina é a segunda via do PSDB”

Em seu pronunciamento em Belém do Pará, Luciana Genro comentou o ingresso de Marina Silva (PSB) na disputa pela Presidência da República. Para a candidata do PSOL, Marina não representa uma verdadeira alternativa às candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), já que defende a mesma política econômica adotada pelos petistas e pelos tucanos: a manutenção do chamado tripé, que é baseado no superávit primário, nas metas de inflação e no câmbio flutuante.

“Embora tente parece ruma novidade, a Marina é mais uma expressão dos mesmos métodos de se fazer política e se transformou em uma segunda via do PSDB, porque sua política econômica é a do puro neoliberalismo”, disse Luciana Genro.

Ela lembrou que, após as manifestações de junho de 2013, ficou claro que o PT não controla mais os movimentos sociais e que, portanto, as elites e o mercado financeiro estariam dispostos, também, a terceirizar o governo nas mãos de Marina Silva.

“O PT não controla mais o movimento social e isso ficou expresso em junho de 2013, quando milhões saíram às ruas negando os velhos partidos, as velhas estruturas e a falsa representatividade da política tradicional. A direita busca, agora, governar a partir de seus próprios meios, tentando eleger o Aécio. Mas eles não se importam de governar através desses terceirizados, que são o PT e figuras como a Marina, que tem uma história tão bonita de vida e de luta, mas que acabou caindo na mesma vala comum de defender ataques aos interesses dos trabalhadores e a manutenção de um tripé econômico que só interessa ao capital financeiro”, concluiu.