Luciana Genro

Luciana Genro surge como alternativa e distingue-se de Dilma, Marina e Aécio

27 de agosto de 2014 08h14

Por Redação #Equipe50

Rahel Patrasso/Xinhua

Rahel Patrasso/Xinhua

No debate promovido pela TV Bandeirantes na noite desta terça-feira (26), a candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, mostrou-se aos telespectadores como uma alternativa aos governos do PT, PSDB e PSB. “Pretendo mostrar as propostas do PSOL e as similitudes entre os três candidatos que estão todos os dias na grande mídia”, disse Luciana ao chegar ao debate. Logo na primeira chance que teve, tratou de se apresentar e mostrar que a sua candidatura representa a verdadeira ‘terceira via’ dessas eleições. “Fui expulsa do PT porque não aceitei me dobrar a um partido que quis governar com o José Sarney. Não concordamos com a privataria tucana, nem com essa que se apresenta como nova política, mas tem na sua coordenação de campanha uma banqueira. Nós queremos governar para o povo e para isso vamos quebrar paradigmas.”

Assim que teve oportunidade, colocou a candidata do PSB na parede: “Marina, os teus economistas falam da necessidade de um ajuste fiscal, de aumentar as tarifas públicas. Essa é a tua visão de uma nova política? Implementar a política econômica do PSDB?”, questionou. Marina desconversou, mas confirmou que irá manter o tripé macroeconômico para estabilizar a economia. Na réplica, Luciana reiterou que para fazer de fato uma nova política, é preciso contrariar interesses e garantir direitos do povo. “Se tu não tiveres condições de enfrentar o capital financeiro, vai repetir a velha política do PSDB, que continuou com Lula. Vocês três são muito parecidos”, disse Luciana olhando para Marina, Aécio e Dilma.

Política anti-homofobia

No segundo bloco do debate, Luciana questionou o candidato do PSC, Pastor Everaldo, sobre a suspensão do programa ‘Escola sem Homofobia’ pelo governo Dilma Rousseff. Luciana ainda perguntou se Everaldo se sentia responsável pelas mortes de homossexuais, já que o programa não foi para frente graças à pressão da bancada evangélica, da qual fazia parte.Visivelmente desconcertado, o candidatato se esquivou da pergunta. “Homofobia e Transfobia matam. Um membro da comunidade LGBT é assassinado por dia por causa do preconceito”, acrescentou a candidata do PSOL.

Economia

Em outra oportunidade, falou da urgência de se colocar em prática a reforma agrária. Segundo Luciana, a reforma agrária serviria até para baixar a inflação, já que hoje a maior parte de terras estão nas mãos de empresas e para exportação de commodities. “Combater a inflação com taxa de juros só beneficia o capital financeiro”, disse Luciana confrontando a candidata do PT, Dilma Rousseff. Ela ainda desafiou Dilma a trabalhar para regularizar o imposto sobre grandes fortunas. “O imposto sobre as grandes fortunas está na Constituição e até hoje não foi regulamentado. Proponho que fortunas acima de R$ 50 milhões paguem uma alíquota de 5% ao ano. Com isso, poderíamos arrecadar R$ 90 bilhões e investir mais em educação”, disse Luciana.

Religião nas escolas

Questionada por um jornalista sobre o criacionismo na grade curricular nas escolas, Luciana não deixou dúvidas. “Acho um absurdo. É preciso investir na educação e levar para a escola o principal debate da atualidade. A guerra às drogas hoje é na prática é uma guerra aos pobres. Dentro das escolas, deveriam se discutir o uso e a descriminalização da maconha. É importante quebrarmos tabus, a Marina tem muita dificuldade com isso, pois ela está presa a dogmas, nós precisamos respeitar as religiões, e isso implica não interferir nas outras. Precisamos regulamentar a maconha e o aborto. Hoje, quem tem dinheiro faz aborto, quem não tem, corre o risco de morrer com uma agulha de tricô. Essa é a realidade que precisamos discutir nas escolas”, disse a candidata do PSOL.

Manifestações de junho

Um dos jornalistas perguntou ao candidato do PRTB, Levy Fidelix, se os candidatos não ouviram o clamor vindo das ruas em junho de 2013 e se a legislação penal está precisando de uma reforma para se adequar a realidade que estamos vivendo. Levy Fidelix defendeu penas mais duras e que, inclusive, o cidadão possa ter sua própria arma “para se defender dos bandidos”. Luciana, entretanto, disse que foi o jornalista quem não entendeu o recado dos protestos de junho. “As manifestações pediram mais direitos, não mais violência e mais encarceramento. Essa política de encarceramento em massa não resolve os problemas de segurança pública do Brasil”, finalizou Luciana.