Luciana Genro

Luciana Genro, em favor da revisão da Lei da Anistia, visitará antigo centro de tortura em Porto Alegre

21 de agosto de 2014 10h00

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, realizará, às 12h deste sábado (23/08), uma vista ao antigo centro clandestino de detenção e tortura conhecido como Dopinha, em Porto Alegre. No local, que fica no número 600 da Rua Santo Antônio e será transformado em centro de memória, a candidata fará um pronunciamento a respeito da revisão da Lei da Anistia.

O ato contará com a presença do candidato do PSOL ao governo do estado, Roberto Robaina, do presidente do partido no Rio Grande do Sul, Pedro Ruas, de militantes, apoiadores e integrantes de movimentos sociais, como o músico, ex-preso político e ativista pelos direitos humanos, Raul Ellwanger.

Luciana Genro é comprometida com a luta de familiares de ex-presos, mortos e desaparecidos políticos desde quando era deputada federal. Em 2010, apresentou o Projeto de Lei 7.430/2010, onde propõe que a Lei da Anistia deixe de proteger agentes públicos civis e militares envolvidos na repressão e na prática de crimes de lesa-humanidade, como a tortura, durante a ditadura militar.

O Dopinha

Muitos pesquisadores dizem que o Dopinha foi, provavelmente, um dos primeiros aparelhos clandestinos de tortura durante a ditadura militar. O local funcionou de 1966 a 1971 e foi responsável, entre outros casos, pela detenção e tortura do sargento Manuel Raimundo Soares, que permaneceu lá durante muitas semanas e foi encontrado morto no Rio Jacuí. Seu assassinato ficou conhecido como “o caso das mãos amarradas”, porque seu corpo foi encontrado assim.

O processo que culminará com a criação de um centro de memória no casarão do Dopinha teve início em 2011, fruto de uma pressão constante dos movimentos sociais, articulados em torno do Comitê Carlos de Ré da Verdade e da Justiça. Naquele ano, o grupo realizou um ato público de identificação do local como um centro clandestino de tortura durante a ditadura.

Em 2013, finalmente os governos se comprometeram com a pauta e ficou definido que o imóvel será desapropriado, os proprietários serão indenizados e o centro de memória será batizado com o nome de Luiz Eurico Tejera Lisboa – militante gaúcho presto em 1972 e assassinado pelo regime, cujo corpo foi encontrado em 1979, no cemitério de Perus, em São Paulo. O projeto dos movimentos sociais prevê que o espaço não seja apenas de caráter museológico, mas que fique à disposição da população para que ocorra um processo de apropriação coletiva da memória da resistência à ditadura e sua consequente ressignificação.