Luciana Genro

Luciana Genro propõe a criação do Ministério da Ecologia e Justiça Socioambiental em lançamento do programa ecossocialista no Ceará

30 de julho de 2014 19h25

Por Redação #Equipe50

Crédito: Divulgação PSOL

Crédito: Divulgação PSOL

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, anunciou que irá criar o Ministério da Ecologia e Justiça Ambiental durante lançamento do programa ecossocialista, em Fortaleza/CE, nesta quarta-feira (30).

A proposta foi apresentada durante evento, na sede do partido no Ceará, contou com as intervenções da presidenta do PSOL Ceará, Cecília Feitosa, do candidato a governador do PSOL, Aílton Lopes, do vereador de Fortaleza, João Alfredo, do professor doutor em Física e membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Alexandre Costa, e do indígena e militante do PSOL, João Pitaguary.

Luciana Genro defendeu uma nova política de desenvolvimento, na qual o respeito ao meio ambiente seja uma prioridade. As exposições fizeram duras críticas aos impactos do modelo de desenvolvimento em curso no Brasil, que desequilibra o meio ambienta, contribuindo para as mudanças climáticas, estações de chuva e poluição, e desrespeita os povos originários, a presidenciável do PSOL anunciou o Ministério da Ecologia e Justiça Socioambiental. A proposta prevê que a política de desenvolvimento esteja submetida às necessidades de preservação do meio ambiente, de garantia do território indígena e da Justiça Ambiental. O novo ministério irá incorporar os da Pesca; da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; do Transporte; do Meio Ambiente; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Tal política reduzirá os gastos públicos e terá o papel fundamental de conferir às ações políticas um sentido estratégico de projeto de país. “Vamos apresentar um novo modelo de desenvolvimento que integre respeito aos direitos humanos e à natureza”, afirmou Luciana Genro.

Visita aldeia indígena Anacé

A aldeia indígena Anacé recebeu, na manhã de hoje (30), a candidata do PSOL à presidência da República, Luciana Genro, o candidato do partido ao governo do Ceará, Ailton Lopes, e candidatos do partido ao parlamento que apoiam a resistência indígena e a proteção ambiental, como o vereador de Fortaleza, João Alfredo, e o candidato a deputado estadual, Renato Roseno. A visita da militância do PSOL reafirmou a defesa de um modelo alternativo de desenvolvimento, já que a região tem recebido projetos que integram o Complexo Industrial e Portuário de Pecém, de alto impacto nos ecossistemas e na população local.

Luciana Genro destacou o apoio do partido à luta indígena e o compromisso com a demarcação das terras. “O que está em jogo aqui é a própria extinção de vocês enquanto povos. E é a isso que resistimos”, afirmou, criticando a paralisação das demarcações no governo atual. De acordo com relatório do Conselho Indigenista Missionário, divulgado este ano, durante o governo de Dilma Rousseff, apenas a Terra Indígena Kayabi, no Pará, foi demarcada. O número é inferior à média anual de demarcação nos governos Lula (10) e Fernando Henrique Cardoso (18).

O açude Sítios Novos, local do encontro com os povos indígenas, é a parada final da água a ser transposta pelo Rio São Francisco, por meio do Canal da Integração. Mas a água que deveria servir para amenizar a sede sofrida na região é direcionada para a Termelétrica do Pecém, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) e a Refinaria Premium 2.

“Esses empreendimentos, além de consumidores de carvão, necessitam de uma quantidade absurda de água para suas caldeiras, em um Estado que está vivenciando mais uma de suas estiagens”, destacou o vereador de Fortaleza pelo PSOL e candidato a deputado estadual, João Alfredo, que acrescentou que a queima do carvão contribui para o aquecimento global e causa danos à saúde humana.

Já as populações dependem de carro pipa e de lagoas estagnadas, enquanto veem o canal passar nas proximidades ou mesmo por cima de seus territórios. No encontro, os povos indígenas destacaram que o resultado desses projetos foi a expulsão de comunidades inteiras dos territórios, bem como o aumento da violência e da exploração sexual.

“A terra está estudada, mas não está demarcada. Nós não criamos nada porque está tudo ocupado pelos poderosos”, disse Antônio Ferreira Anacé, que recordou os tempos produtivos do território que agora sofre com a polução ambiental e com a apropriação privada. Hoje, segundo ele, falta espaço para plantio e até mesmo para a construção de casas.

“As indústrias que estão aqui, de Eike Batista e de empresas estrangeiras, e também os posseiros são os únicos beneficiados por esse tipo de governo que governa para minorias”, destacou a candidata do PSOL, acrescentando que a campanha tem o papel de “mostrar a farsa desse desenvolvimento, que é a tragédia da expulsão das comunidades, da violência e da pobreza que chegam”.

Para o povo indígena, o tempo urge. O avanço desses empreendimentos sobre seus territórios tem gerado também inúmeras resistências, expressas nas grandes mobilizações, como a que resultou na ocupação da Câmara dos Deputados, em 2013, a retomada de terras, a paralisação de obras, como a de Belo Monte, e a afirmação da própria identidade. “Nós somos um povo unido, organizado, forte. E nós somos índios”, resumiu a Anacé Valdelice.

Proteção aos mamíferos marinhos

Após a visita à Terra Indígena, a campanha do PSOL foi ao Centro de Reabilitação de Mamíferos da Aquasis Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, em Iparana. Lá escutaram técnicos que falaram dos impactos desse modelo de desenvolvimento sobre a fauna marinha.

Luciana Genro e a comitiva do PSOL foram recebidos pela bióloga, Carol Meirelles, que
O candidato ao governo do Ceará, Ailton Lopes, destacou que o modelo de desenvolvimento implementado na região gera mais desigualdade social. Ele afirmou que é fundamental que o Ceará conheça sua história e seus povos, para que a luta indígena seja fortalecida. Ailton também fez referência à estiagem que atingiu o estado nos últimos anos e defendeu a efetivação de políticas que possibilitem a convivência com o semiárido.

Quinta-feira, 31 de julho

Luciana Genro cumpre agenda no Rio de Grande do Sul nesta quinta-feira (31). Pela manhã, participa de painel com os prefeitos gaúchos no 34˚ Congresso da Federação da Associação dos Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS). À tarde, a candidata à Presidência realiza atividades de campanha em Canoas, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, com o candidato a governador do RS, Roberto Robaina.
A agenda da candidata está disponível pelo site lucianagenro.com.br/agenda.